Nunca visto. O futebol profissional português ultrapassou, pela primeira vez na sua história, os mil milhões de euros em receitas.
“É uma indústria rentável, e que vale a pena. Não é à toa que vemos grande parte dos fundos a olharem para o nosso país, a investirem em clubes e a quererem estar cá. Os fundos de investimento não o fazem porque vão perder dinheiro”, contou o presidente da consultora EY, Miguel Farinha, à margem da apresentação da 8.ª edição do anuário do futebol profissional.
Segundo o mais recente estudo, apresentado pela Liga de Clubes em colaboração com a EY, que é relativo à época 2023/24, as sociedades desportivas registaram, no seu conjunto, um volume de negócios fixado em 1.073 milhões de euros, mais 86 milhões de euros do que na época 2022/23.
Diz o mesmo relatório que o futebol profissional em Portugal contribuiu com mais de 662 milhões de euros para o PIB, o que equivale a 0,25 por cento da riqueza nacional. A Liga Portugal e as Sociedades Desportivas bateram também um recorde, naquilo que ao número de postos de trabalho diz respeito, registando-se mais de quatro mil trabalhadores.
Para além da evolução nos níveis de empregabilidade, houve um crescimento no teto salarial afeto aos profissionais do futebol português. Entre a Liga Portugal e as Sociedades Desportivas participantes nas competições, observou-se um valor de 424 milhões em salários, um aumento de 60 milhões, quando comparado com os 364 milhões registados na época transata.
A época 23/24 significou um ano de recordes para o futebol nacional e, desta feita, foram os adeptos que contribuíram para superar mais um. Sendo que, nesta temporada, foram mais de 4.2 milhões de espetadores a marcar presença nas bancadas dos estádios das Sociedades Desportivas do futebol profissional.
A presidente interina da Liga Portugal, Helena Pires, destaca a importância que o setor futebolístico tem na sociedade portuguesa e na sua economia. “Os dados sublinham o peso crescente do futebol profissional na economia nacional, o que deve servir de referência ao poder político, a quem cabe um papel relevante na garantia de condições justas para assegurar a competitividade do setor.”
Recorde-se que abril é mês de eleições na Liga Portugal, com Ronaldo Teixeira e José Gomes Mendes a concorrerem à sucessão de Pedro Proença, que foi recentemente eleito presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
Texto: Martim Figueiredo. Foto: Liga: Legenda: Miguel Farinha, na apresentação da 8.ª edição do anuário do futebol profissional.