A vitória de António José Seguro nas eleições presidenciais constitui uma grande e inequívoca vitória pessoal. Não se trata de um...
A vitória de António José Seguro nas eleições presidenciais constitui uma grande e inequívoca vitória pessoal.
Não se trata de um triunfo emprestado, nem de um resultado por delegação: é uma conquista política própria, construída na credibilidade do seu percurso, na confiança que soube gerar e na capacidade de falar para lá das fronteiras tradicionais do voto partidário.
Mais: esta é uma vitória inconfundível com a de qualquer partido político. Num tempo em que tantos procuram apropriar-se dos resultados eleitorais para reforçar narrativas internas, importa dizer, com clareza, que o país escolheu um Presidente da República — não escolheu um governo, nem uma maioria parlamentar, nem um alinhamento ideológico fechado.
Estavam em causa as eleições para a Chefia do Estado, com a sua natureza específica, o seu mandato próprio e a sua responsabilidade singular.
A dimensão histórica do resultado é incontornável. António José Seguro torna-se o Presidente eleito para um primeiro mandato com a maior percentagem da Democracia e, simultaneamente, o Presidente eleito com o maior número de votos de sempre. Estes factos, por si só, exigem leitura séria e sentido de Estado: estamos perante um mandato forte, legitimado de forma rara e robusta.
Por isso será tão disparatado que André Ventura reclame agora a “liderança da Direita” a partir da comparação com um resultado percentual superior (que não em número de votantes!) ao obtido pela AD nas últimas legislativas como, por absurdo, se pudesse agora dizer que o Partido Socialista já estaria a caminho de uma maioria absoluta, de dimensão quase constituinte.
Então e o enorme espaço do centro e do centro-direita, social democrata, democrata cristão e liberal? Desapareceu de súbito, hoje, porque praticamente 90% dos seus eleitores resolveram rejeitar o apelo da extrema-direita protagonizado por André Ventura, muitos optando pelo “candidato socialista”, outros (muito menos) refugiando-se na abstenção?
A quem interessa discutir este tipo de abstrações? Obviamente só a quem foi ontem severamente batido e rejeitado pelos portugueses, mas faz da ação política um continuo fluxo de ruído e números de prestidigitação.
No entanto os portugueses não são parvos e souberam muito bem o que ontem estava em causa.
As presidenciais não são um atalho para reescrever o mapa partidário do país.
Os resultados eleitorais destas eleições extinguem-se já no próximo domingo, com a realização do acto eleitoral nas freguesias impedidas de votar.
E a actual configuração parlamentar continuará. Assim como o Primeiro-Ministro continua a ter o dever constitucional do seu Governo em governar e definir a política geral do país, de acordo com o seu Programa.
Portugal precisa agora de se focar no que é importante.
Para isso, a política nacional deve passar a ser um fator de estabilidade, assente no regular funcionamento das instituições e na responsabilidade dos atores políticos.
E foi este o apelo do Presidente Eleito, António José Seguro.
Temos agora três anos e meio para recuperar Portugal — com seriedade, com compromisso e com sentido de futuro.