Aquilo que, há uns anos, era tido como impensável, na maioria dos países ocidentais, é hoje uma realidade na Europa. A produção de insetos para fins alimentares está a crescer no Velho Continente e Portugal tem acompanhado esta tendência.
Comer gafanhotos ou larvas pode ser visto como um hábito típico ou exclusivo de outras culturas, mas não é. Já há vários restaurantes e supermercados em Portugal a servir pratos e alimentos feitos à base de insetos. A apreciação dos consumidores tem sido positiva e a procura está a aumentar, revelam profissionais desta indústria.
“Comer gafanhotos ou larvas pode ser visto como um hábito típico ou exclusivo de outras culturas, mas não é. Já há vários restaurantes e supermercados em Portugal a servir pratos e alimentos feitos à base de insetos. A apreciação dos consumidores tem sido positiva e a procura está a aumentar, revelam profissionais desta indústria. “
Guilherme Pereira, fundador da Corial Foods – antiga Portugal Bugs – empresa pioneira a comercializar produtos alimentares à base de insetos em Portugal, explica ao 24Horas que este é um mercado que tem crescido e atenta para as enormes potencialidades de um setor que ainda tem muito para explorar e descobrir.
O líder da Corial assegura que “estes são produtos ricos em nutrientes”, o que faz com que os consumidores queiram provar. Para Guilherme Pereira, a desinformação é o principal entrave ao crescimento. Mesmo assim, o empresário acredita que o setor irá disparar num futuro próximo, já que as espécies aprovadas pela Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) para alimentação humana em Portugal são as necessárias para garantir a sustentabilidade desta indústria.
Aos dias de hoje, a DGAV permite a produção e comercialização de cinco espécies de insetos: grilo-doméstico, grilo da casa tropical, abelha europeia, gafanhoto migratório e larva da farinha.
Os snacks são a especialidade da Corial. Barras de chocolate com larvas ou batidos de proteína de gafanhoto são alguns dos produtos desta empresa, que pode encontrar à venda em supermercados como o Continente, o Auchan ou o Apolónia.
Insetos à mesa
Já imaginou sentar-se à mesa de um restaurante e em vez de um saboroso leite creme ou de uma tradicional serradura servirem-lhe como sobremesa umas crocantes larvas ou uns suculentos grilos? A Adega da Vila, em Vila do Conde, é um dos restaurantes portugueses onde pode conviver com esta experiência.
Augusto Sá, proprietário do estabelecimento, conta ao 24Horas que aquilo que começou como uma brincadeira, é hoje um fator diferenciador que atrai novos clientes ao restaurante. Os insetos, que já vêm desidratados, são colocados num prato e servidos no final da refeição. A ideia de introduzi-los na ementa surgiu quando viu uma notícia que dava conta de que algumas espécies seriam aprovadas pela DGAV, para alimentação humana.
A curiosidade e vontade de inovar falaram mais alto e fizeram com que Álvaro Sá começasse a trabalhar com este tipo de produto. O proprietário do restaurante vilacondense, garante: “O certo é que a recetividade é muito boa, porque os clientes provam, gostam e trazem novos clientes para experimentar. 90 por cento dos nossos clientes provam os insetos e adoram”. O mesmo responsável revela que as larvas têm um sabor particularmente agradável e assegura “Este produto vai ser o futuro da gastronomia, porque é sustentável, já que não necessita de muita água para confecionar, é altamente proteico e é saudável.”
Texto: Martim Figueiredo