Frase do dia

  • “Foi o melhor jogo da minha vida”, Luis Enrique, depois do 5-4 no PSG-Bayern
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Jorge Morais

Em breve terão início os salamaleques no Palácio de Queluz, onde o Presidente eleito será instalado provisoriamente, e o beija-mão...

Em breve terão início os salamaleques no Palácio de Queluz, onde o Presidente eleito será instalado provisoriamente, e o beija-mão prosseguirá no Palácio de Belém, com cortesãos de véspera e amigos da onça acotovelando-se na Sala das Bicas e no Pátio dos Bichos na esperança de passarem por amigos verdadeiros e poderem marcar a sua dedada no mandato que se inicia.

Mas a esta Primavera inaugural de António José Seguro, esperançosa como todas as primaveras da vida, não se seguirá o remanso de um Verão de retempero nem o bucolismo de um Outono de transição: o novo Presidente entrará diretamente no Inverno sem passar pela casa de partida – e são muitos os ciclones, tempestades e depressões que o esperam.

Desde logo, na frente interna, Seguro terá nos braços uma crise prolongada. A passagem de três intempéries consecutivas não deixará apenas umas telhas levantadas e umas árvores arrancadas: vastas zonas do país precisam de reconstrução, num cenário de desmoronamento económico em que predomina a fragilidade de um pequeno empresariado sem capacidade de reação ou reinvestimento. Os distritos afetados (lesando ainda outros por contaminação) demorarão muitos meses, se não anos, a recompor-se. E as consequências sociais são para já imprevisíveis.

Também as contas do Estado serão abaladas. E se noutras crises de grandes dimensões, mas mais localizadas, os Governos puderam iludir expectativas e protelar intervenções, neste caso (com danos de estrutura de norte a sul do país, expostos com crueza durante uma campanha eleitoral coberta ao segundo pelos Media) dificilmente o Executivo poderia furtar-se a cumprir deveres e promessas. A esse cumprimento estará especialmente atenta a comunidade política, sob pressão de uma opinião pública impressionada pela extensão da tragédia. E todos recordarão as palavras de António José Seguro sobre o grau de execução que espera da equipa de Montenegro – a atual ou a que venha a sair de uma remodelação.

Em termos políticos, o novo Presidente da República terá à sua frente um Portugal fragmentado em extremo, como bem lembrou Ramalho Eanes. Um Governo minoritário, dependente de acordos de ocasião com um partido em crise de afirmação e outro ambicionando o poder a curto prazo, dificilmente encontrará espaço e tranquilidade para impulsionar as almejadas reformas, algumas das quais foram claramente defendidas por Seguro enquanto candidato.

Dependerá da destreza do novo Presidente a preservação de um clima construtivo na relação entre as partes, nomeadamente na eventualidade de uma remodelação governamental (que de todos os lados se aguarda, após as fragilidades reveladas ou confirmadas por alguns ministros), de uma crise de impasse parlamentar, de uma tentação socialista de reclamar em S. Bento a sua quota-parte na vitória de Seguro ou de um ataque de impaciência do Chega no seu sonho de precipitar a queda do Executivo – visando substituir o PSD ou (na confissão de um seu dirigente) assimilá-lo por deglutição.

A tudo isto juntemos “o Inverno que aí vem”, de que há dias falava o ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, ao lembrar que, pela primeira vez desde 1972, a antiga URSS e os EUA (as duas maiores potências atómicas) não têm qualquer tratado que limite as respetivas forças nucleares estratégicas – num momento em que convulsões mais ou menos graves abalam as Américas, a África, a Ásia e a Europa, com disputas que vão do Ártico ao Cabo das Agulhas.

A amplitude da vitória eleitoral pode ser um consolo, mas eu não queria estar na pele do Presidente Seguro.