A estabilização macroeconómica que se sente em Angola está a criar uma janela de oportunidade, que deve agora ser aproveitada para acelerar reformas microeconómicas, fortalecer as instituições, desenvolver o capital humano e impulsionar os setores não-petrolíferos. Condições essas para que aquele país venha a ter um crescimento sustentado acima dos 4 por cento, uma meta que José Barata, o presidente da Deloitte Angola, admite ser possível alcançar.
Na extensa entrevista que o líder da operação da Deloitte em Luanda deu ontem ao Jornal de Economia e Finanças, Barata afirma, no entanto: “Crescer acima de 4% não se faz apenas com consumo. Isso passa por investir em infra-estruturas críticas, tais como energia, água, transportes e logística, acelerar a digitalização do Estado e das empresas”
Para ele, os esforços de estabilização empreendidos pelo executivo, com o apoio de instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, têm permitido restabelecer confiança, reduzir desequilíbrios históricos e criar bases mais sólidas para a atividade económica: “Angola vive hoje uma fase de estabilização macroeconómica, com desafios estruturais ainda relevantes, mas também com oportunidades claras de consolidação e crescimento sustentável”, afirma José Barata.

José Barata, o presidente da Deloitte Angola, tem uma visão otimista do rumo que está a tomar a economia angolana
Na opinião do líder máximo da operação da Deloitte em Luanda, “a formalização da economia é um dos desafios mais persistentes e estruturais de Angola”. E acrescenta: “Formalizar não é forçar a economia informal a entrar no sistema, mas criar um sistema que valha a pena integrar, simples, previsível, digital e com benefícios claros para os cidadãos e as empresas”.
Formado em Gestão de Empresas, José Barata trabalha no setor há cerca de 34 anos, e é, desde 2018, Country Managing Partner da Deloitte Angola. Ao longo desta sua estada em Luanda foi responsável por um conjunto significativo de trabalhos de auditoria a entidades do sistema financeiro angolano, tendo sido responsável, por exemplo, pela equipa de supervisão no programa de Avaliação da Qualidade dos Ativos do Banco Nacional de Angola, tendo apoiado esta instituição na adoção das IAS/IFRS no sistema financeiro angolano.