A maior sala de espetáculos do País transformou-se num lugar surpreendentemente íntimo, esta sexta-feira à noite, 13 de fevereiro. Não havia o palco habitual, nem a distância confortável entre artistas e plateia. No centro, um palco 360º reunia à sua volta milhares de pessoas, todas convidadas a partilhar a mesma história: a do amor nas suas muitas formas.

O concerto começou antes da primeira nota. Num vídeo projetado em ecrã, os seis músicos surgiam acusados de um “crime”: não saberem cantar o amor. A sentença era caricata – regressar à escola, a uma espécie de academia sentimental. O público riu, reconhecendo o tom bem-humorado que há muito faz parte da identidade da banda.
Quando as luzes baixaram e soaram os primeiros acordes de ‘Segue o Coração’, percebeu-se que a viagem ia ser coletiva. Seguiu-se ‘P’ra Frente É que É Lisboa’, cantada em uníssono por uma arena cheia, onde cabiam crianças, pais, grupos de amigos, casais jovens e espectadores de outras gerações.

Esgotar a MEO Arena já é, por si, um marco. Talvez por isso, a banda escolheu esse momento para apresentar ao vivo, pela primeira vez, ‘Miradouro’, uma canção sobre o amor à primeira vista – aquele que chega sem avisar e fica gravado como uma paisagem.
A segunda parte trouxe uma mudança de ritmo: os músicos reuniram-se em roda, aproximando-se ainda mais do público. O gesto reforçava a ideia de partilha e abriu espaço para um tema que atravessou a noite – o amor que não se limita ao romance. ‘Minha Mãe Está Sempre Certa’ foi dedicada às mães, arrancando sorrisos e algumas lágrimas discretas.
O momento mais aplaudido chegou com a entrada de Luís Represas. Juntos, interpretaram ‘Perdidamente’, num encontro simbólico entre gerações da música portuguesa. A ovação em pé foi imediata, prolongada.

Entre êxitos como ‘O Tempo Vai Esperar’ e ‘A Terra Gira’, surgiu outra novidade, ‘Tu Para Mim’, antes de a emoção regressar com uma dedicatória aos pais. ‘Meu Amor, Dorme Bem’ ganhou um peso particular ao lembrar aqueles que já não puderam assistir a esse momento.
Houve ainda espaço para surpresas. Em ‘A Escola’, a banda misturou versos de canções bem conhecidas, criando um mosaico inesperado. E, recusando o tradicional encore, inventou-se um pequeno espetáculo dentro do espetáculo: um casal do público foi chamado ao palco, rodeado de almofadas, pétalas e um enorme urso.
Na reta final, ‘Baile de São Simão’ e ‘Sentir o Sol’ levantaram finalmente o público das cadeiras. Depois de quase duas horas de canções e histórias, a sala transformou-se num baile coletivo, onde a energia substituiu qualquer formalidade.
Os Quatro e Meia despedem-se assim da MEO Arena, mas com o sorriso de quem sabe que vai voltar. Nem que seja já este sábado, no Dia dos Namorados, à mesma hora (21:30).


