A NASA realizou uma campanha científica no Alasca, nos Estados Unidos, para estudar de forma direta os mecanismos que se escondem por trás das auroras boreais, aqueles espetáculos de luzes no céu polar que encantam observadores há séculos. A agência lançou três foguetes de sondagem a partir do Campo de Pesquisa Poker Flat, uma base especializada em missões suborbitais que atravessam a atmosfera superior e a ionosfera – a camada onde as auroras se formam – para recolher dados in situ sobre campos elétricos, correntes de partículas e plasma altamente energizado.
Foi lançada, há dias, a missão ‘Black and Diffuse Auroral Science Surveyor’ (BADASS), que alcançou cerca de 360 km de altitude para estudar as chamadas auroras negras, regiões escuras ou de brilho reduzido dentro da aurora, que surgem quando correntes de elétrons fluem para cima em vez de descerem para a Terra, como acontece nas auroras comuns. Esta foi uma oportunidade rara de observar diretamente um fenómeno pouco compreendido e que pode revelar como, e por quê, as correntes se reorganizam nessas condições extremas.
No dia seguinte (10), a NASA lançou a missão ‘Geophysical Non-Equilibrium Ionospheric System Science’ (GNEISS) com dois foguetes quase em simultâneo, que atingiram altitudes de cerca de 319 km. Equipados com instrumentos que libertam pequenos submódulos em diferentes pontos dentro da aurora, estes veículos recolheram medições da densidade do plasma e do comportamento das correntes elétricas.
Combinando esses dados com observações em solo, os cientistas conseguiram criar uma representação tridimensional do ambiente elétrico sob as luzes do norte – uma espécie de ‘tomografia computadorizada’ das correntes e campos que sustentam a aurora boreal.
Compreender melhor as auroras tem importância prática, além da física fundamental: as correntes elétricas e as tempestades geomagnéticas associadas a esses eventos espaciais podem afetar sistemas tecnológicos na Terra e no espaço, como satélites, comunicações por rádio e sistemas de navegação GPS, e influenciar o clima espacial que envolve o nosso planeta. Os dados recolhidos por estas missões vão ajudar a melhorar modelos de previsão e a proteger infraestruturas sensíveis, além de aprofundar o nosso conhecimento sobre como a energia do Sol interage com a atmosfera terrestre.