Devastada pelos incêndios de 2017, a zona de pinhal e mata de Leiria, plantada nos séculos XIII e XIV, voltou a ser arrasada, agora pelos efeitos da onda de depressões que se abateu sobre Portugal. O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) estima que 350 mil pinheiros da mata nacional erguida por D. Dinis tenham sido destruídos ou arrancados pela raiz.
Com 11.021 hectares, a Mata Nacional de Leiria ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande, dos quais 86% arderam em 2017. Os 1200 hectares, maioritariamente de árvores adultas, que sobreviveram foram agora partidos ou derrubados “quase na totalidade”, afirmou o diretor do ICNF, Paulo Farinha Luís, em declarações à Lusa.
O responsável teme que a elevada carga de combustível residual deixado pela queda de árvores no solo aumente exponencialmente o risco de incêndios este ano, e afirma que um dos objetivos a curto prazo será a retirada de toda a carga de combustível (árvores, biomassa, resíduos florestais) deste território. A medida tem em vista “evitar o risco de incêndio no verão e evitar potenciais problemas fitossanitários que possam decorrer de as árvores estarem no chão”.
Paulo Farinha Luís sublinha que face à “quantidade de recursos disponíveis do ICNF” se a entidade não conseguir retirar tudo até ao período de verão, tentará que “seja possível que isso aconteça numa parte muito, muito significativa”.
“E se conseguirmos fazer, priorizando aquilo que são zonas de maior risco e zonas que potencialmente possam fazer com que os incêndios sejam maiores, que mesmo não conseguindo completar a tarefa na sua totalidade, conseguimos chegar ao verão com a resolução dos problemas mais significativos do risco de incêndio”, acrescenta. Deixando ainda nota de que “haverá sempre risco, como é evidente, mas estará minimizado”.
Farinha Luís assegura também que após cumprimento desta missão terá “início imediatamente o processo de recuperação da mata através da regeneração natural”.
Apesar dos estragos, o líder do ICNF ressalva que “a esmagadora maioria da área intervencionada na recuperação da mata pós-incêndios de 2017 não foi afetada ou foi afetada residualmente”. “Temos cerca de nove mil hectares, um pouco mais, que não tiveram afetação”, destacou.