Subiram para 30 o número de mortos e para 39 o de desaparecidos na sequência das fortes chuvas que estão a atingir o estado de Minas Gerais, desde o início da semana. As cidades mais afetadas são Juiz de Fora e Ubá, onde bairros inteiros ficaram submersos, houve deslizamentos de terra e dezenas de casas foram destruídas.
Os números foram atualizados pelas autoridades estaduais após novas operações de busca realizadas pelos bombeiros em áreas de difícil acesso. Ontem, o balanço indicava um número inferior de vítimas, mas as equipas de resgate localizaram novos corpos ao longo das últimas horas, elevando o total confirmado de mortos.
Enquanto as buscas continuam, cresce também a pressão política sobre o governador Romeu Zema. Dados oficiais do orçamento estadual mostram que, nos últimos dois anos, a verba destinada à prevenção de desastres relacionados com chuvas sofreu uma redução de cerca de 96%, passando de aproximadamente 135 milhões de reais para apenas 6 milhões.
Especialistas em gestão de risco e defesa civil alertam que investimentos em drenagem urbana, contenção de encostas e sistemas de alerta precoce são determinantes para reduzir o impacto de fenómenos extremos. A diminuição significativa dos recursos para prevenção está agora no centro do debate, sobretudo num momento em que comunidades vulneráveis enfrentam perdas humanas e materiais de grande dimensão.
O governo estadual tem defendido que as chuvas registadas foram excepcionais e acima da média histórica. Ainda assim, o contraste entre a dimensão da tragédia e o corte orçamental na área da prevenção coloca sob escrutínio as prioridades da gestão pública num cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.
