Pelo menos três explosões foram registadas este sábado, dia 28, no centro e norte de Teerão, pouco depois de Israel ter anunciado o lançamento de ataques contra a República Islâmica do Irão. A ofensiva, confirmada por Telavive e por Washington, desencadeou um contra-ataque iraniano com mísseis e drones e elevou o nível de tensão em toda a região.
Os meios de comunicação iranianos noticiaram explosões numa zona aparentemente próxima dos escritórios do líder supremo, Ali Khamenei, de 86 anos. Segundo testemunhos citados pela agência France-Presse (AFP), foi visível fumo no bairro de Pasteur, onde se situam a residência do líder e a presidência iraniana. Um porta-voz do Ministério da Saúde indicou que ambulâncias foram mobilizadas para as áreas afetadas e que os hospitais se encontram em alerta, não tendo sido ainda confirmado o número de feridos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou na rede social Truth Social o início de uma “grande operação de combate” no Irão, afirmando que o objetivo é “eliminar ameaças iminentes” à segurança dos Estados Unidos e dos seus aliados. Também o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a ação conjunta, classificando o regime iraniano como uma “ameaça existencial” e agradecendo a Trump pela “liderança histórica”.
O exército israelita anunciou que a operação, denominada Operação Rugido de Leão, foi planeada ao longo de vários meses em coordenação com os Estados Unidos e visou “dezenas de objetivos militares” associados ao regime iraniano. Já o Departamento de Defesa norte-americano designou a ofensiva como Operação Fúria Épica, segundo informação divulgada na rede social X.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou o início de uma “primeira grande vaga” de ataques com mísseis e drones contra o que designou como “território ocupado”. As sirenes de alerta antiaéreo soaram em várias regiões de Israel, confirmou o exército israelita, após a deteção de projéteis lançados a partir do Irão. As autoridades enviaram mensagens para telemóveis apelando à população para se preparar para procurar abrigo.
De acordo com a NBC News, o Irão estará também a atacar várias instalações militares norte-americanas no Médio Oriente. A imprensa estatal iraniana indicou que o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, situado no Bahrein, foi alvo de um ataque com mísseis.
Em Teerão, as estradas do norte da cidade encheram-se de veículos pouco depois das primeiras explosões, com algumas artérias bloqueadas. Muitos pais deslocaram-se às escolas para buscar os filhos e formaram-se filas nas caixas automáticas, num cenário que recorda a anterior escalada militar entre os dois países. O cheiro a queimado era percetível em várias zonas da capital, que conta com cerca de 12 milhões de habitantes.
Entretanto, a companhia aérea Air France anunciou o cancelamento dos voos de e para Telavive e Beirute previstos para este sábado, alegando razões de segurança, e indicou que irá comunicar posteriormente sobre a programação dos próximos dias.
No plano político, o príncipe herdeiro exilado Reza Pahlavi, filho do xá deposto na Revolução Islâmica de 1979, apelou aos iranianos para que regressem às ruas, considerando que se aproxima um “momento decisivo” para o futuro do país.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português disse, através de um comunicado na rede social X, que está a acompanhar de perto o desenvolvimento deste conflito e que “a prioridade é a segurança dos cidadãos portugueses”.