A ordem geopolítica internacional poderá estar perante uma inflexão histórica: a possibilidade real do fim de quase cinco décadas da...
A ordem geopolítica internacional poderá estar perante uma inflexão histórica: a possibilidade real do fim de quase cinco décadas da República Islâmica do Irão.
Fundado em 1979 sob a promessa de justiça social e independência nacional, o regime rapidamente se consolidou como uma teocracia repressiva, assente na vigilância permanente, na compressão sistemática das liberdades civis e na eliminação violenta da dissidência.
A sua longevidade nunca resultou de consenso popular, mas da combinação entre repressão interna, instrumentalização religiosa e uma calculada perfídia diplomática que explorou as hesitações do exterior.
Hoje, sinais acumulados evidenciam uma sociedade iraniana exausta e simultaneamente preparada para a mudança.
Das mulheres à juventude urbana, dos pequenos comerciantes às minorias étnicas e religiosas, cresce a convicção de que o futuro do país não pode continuar refém de um aparelho político que responde às reivindicações sociais com prisões, execuções e força letal.
Denúncias recentes de organizações de direitos humanos apontam para mais de 40 mil mortos apenas no último mês, vítimas da repressão estatal contra o seu próprio povo — um dado que torna moralmente insustentável a invocação abstrata do Direito Internacional como escudo protetor de quem viola, de forma sistemática, os princípios mais elementares da humanidade.
Num eventual cenário de transição, a saída de cena de Ali Khamenei dificilmente suscitará nostalgia histórica. Para muitos iranianos, representará antes o fim de um ciclo marcado pelo medo e pela estagnação — e o início, finalmente possível, de um alívio coletivo há muito adiado.
A equação é muito simples: só haverá paz na região, desde o Mediterrâneo ao Eufrates, desde as montanhas do Curdistão ao Mar Vermelho, com o fim efectivo do regime despótico iraniano. E esse fim passa pela sua obliteração militar.
Porque o lugar desta ditadura é no caixote do lixo da história.
E a Pérsia milenar merece reencontrar-se com as suas tradições, o seu sol e o seu glorioso leão.