O Estreito de Ormuz é uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, situado entre o Irão e o Sultanato de Omã, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Por ali passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, incluindo crude e gás natural liquefeito, provenientes de grandes produtores, como a Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e o próprio Irão – uma posição geográfica que o torna um “ponto de estrangulamento” fundamental para os mercados energéticos.
A importância económica deste canal estreito reside no facto de não existirem rotas marítimas alternativas práticas que substituam o seu papel para o transporte de energia. Se o trânsito de navios ficar interrompido durante um período mais prolongado, isso tende a causar aumentos imediatos nos preços do petróleo e do gás, pressões inflacionistas e perturbações nas cadeias de abastecimento internacionais.
Na sequência de um agravamento das tensões regionais e de ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos, iniciados no final de fevereiro, o Irão respondeu com retaliações militares e ameaças diretas à navegação no estreito. Na noite desta segunda-feira, dia, o Estreito de Ormuz foi declarado fechado, com destaque para a afirmação do general iraniano Ebrahim Jabbari, conselheiro da Guarda Revolucionária, de que “o Estreito de Ormuz está fechado”: “Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da marinha regular irão pôr esses navios em chamas.”
Este desenvolvimento levou a que várias grandes companhias de transporte marítimo suspendessem temporariamente as suas operações na região e que os preços internacionais da energia subissem, refletindo a preocupação dos mercados com a segurança das entregas. A efetiva interrupção do fluxo através de Ormuz destaca o papel crítico desta passagem na economia global, dado que uma parte significativa das exportações de petróleo e gás natural depende diariamente desta rota.