A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irão representa já um dos conflitos mais dispendiosos da atualidade, com custos operacionais diretos que superam os mil milhões de dólares por dia, segundo estimativas de analistas militares e financeiros.
Desde o início das operações, a 28 de fevereiro, Washington mobilizou mais de uma dúzia de navios e cerca de 100 aeronaves para a região, num pré-posicionamento militar estimado em cerca de 630 milhões de dólares. A fase ativa de combate tem implicado despesas diárias próximas dos 200 milhões de dólares, valor que pode subir substancialmente quando se incluem sistemas de defesa antimíssil e interceção, alguns dos quais com custos unitários muito elevados – um míssil Tomahawk ronda os 2 milhões de dólares, enquanto cada interceptor do sistema Iron Dome pode custar entre 40 mil e 100 mil dólares.
Do lado israelita, o governo aprovou um suplemento orçamental de 2,9 mil milhões de dólares para sustentar as operações. Estima-se que os gastos diários de Israel ascendam a cerca de 725 milhões de dólares, repartidos entre operações ofensivas e mobilização defensiva.
Já o Irão, embora não divulgue números oficiais, terá disparado centenas de mísseis balísticos e drones nos primeiros dias do conflito. Considerando que cada míssil pode custar entre 1 e 2 milhões de dólares e cada drone Shahed entre 20 mil e 50 mil dólares, os custos apenas em munições poderão atingir entre 1,5 e 2,5 mil milhões de dólares num período muito curto.
A estes valores somam-se os danos em infraestruturas estratégicas iranianas – instalações militares e nucleares, refinarias, o porto petrolífero de Kharg Island, o campo de gás South Pars e redes elétricas – cuja destruição poderá ascender a dezenas de milhares de milhões de dólares. O impacto económico agrava-se ainda com a perturbação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, pressionando os mercados energéticos e elevando o risco de crise global.
Importa sublinhar que os números divulgados referem-se apenas a custos operacionais diretos – munições, combustível, logística e equipamentos destruídos. Ficam de fora despesas estruturais como salários militares, cuidados médicos e compensações futuras, que em conflitos anteriores, como no Iraque e no Afeganistão, multiplicaram por várias vezes o custo inicial anunciado.
Num cenário de prolongamento das hostilidades, o “contador” financeiro poderá crescer de forma exponencial, com consequências que ultrapassam largamente o campo militar e se estendem à estabilidade económica mundial.