A eventual sucessão no poder no Irão voltou ao centro da atenção internacional, depois de notícias que apontam Mojtaba Khamenei, de 56 anos, filho do antigo líder supremo Ali Khamenei, como um dos principais candidatos a assumir a liderança do país. A possibilidade tem gerado controvérsia, tanto pelo perfil político do religioso como por revelações sobre aspetos da sua vida privada.
Segundo documentos diplomáticos norte-americanos tornados públicos, Mojtaba Khamenei terá sido submetido, no passado, a tratamentos médicos no Reino Unido para resolver problemas de impotência. Os registos indicam várias estadias em hospitais londrinos, algumas prolongadas, até que o problema fosse tratado e o casal conseguisse ter filhos. A situação terá também contribuído para que o casamento do religioso ocorresse relativamente tarde, apenas em 2004.
Mojtaba Khamenei é descrito como uma figura influente mas discreta dentro do regime iraniano. Apesar de não ter ocupado cargos governativos formais durante grande parte da carreira, terá desempenhado um papel relevante nos bastidores do poder, controlando o acesso ao líder supremo e mantendo fortes ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica, uma das instituições mais poderosas do país.
Críticos do regime acusam-no de ter participado na repressão de protestos e de ter tido influência em processos eleitorais controversos, nomeadamente nas presidenciais de 2005 e 2009. Em 2019, foi alvo de sanções dos Estados Unidos, devido ao seu alegado papel na consolidação do poder político do círculo próximo do líder supremo.
A eventual ascensão de Mojtaba Khamenei levanta ainda dúvidas dentro e fora do Irão. Alguns observadores consideram que a sua nomeação poderia representar uma espécie de sucessão dinástica, contrariando o princípio anti-monárquico que esteve na base da Revolução Islâmica de 1979.
A decisão final cabe à Assembleia dos Peritos, o órgão religioso responsável por escolher o líder supremo. A eventual escolha de Mojtaba Khamenei poderá determinar a orientação política futura do país, num contexto de fortes tensões regionais e de crescente pressão internacional sobre Teerão.