Uma falha estrutural catastrófica transformou um lar de idosos num cenário de guerra na capital mineira, Belo Horizonte, Brasil. O desabamento de um edifício de quatro pisos, onde funcionava a Casa de Repouso Pró-Vida, resultou na morte de 12 pessoas e deixou o Brasil em estado de choque. A tragédia, que surpreendeu os residentes durante o sono na madrugada de quarta para quinta-feira, só teve o seu balanço final consolidado esta sexta, após a confirmação do óbito de um ferido grave no hospital.
O incidente ocorreu por volta da 01:30 da manhã, no bairro Jardim Vitória. No momento da derrocada, encontravam-se 29 pessoas no interior do imóvel, que colapsou quase na totalidade, em poucos segundos. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a maioria das vítimas eram idosos com mobilidade reduzida, o que impossibilitou qualquer tentativa de fuga perante o estrondo e a queda imediata das placas de betão.
Entre os mortos confirmados pelas autoridades brasileiras encontravam-se dez utentes da instituição e Renato Duarte, de 31 anos, filho do proprietário e gestor do espaço. Das restantes pessoas que estavam no edifício, nove conseguiram escapar ilesas, por ocuparem uma zona lateral que permaneceu de pé, enquanto sete feridos continuam sob cuidados médicos, em unidades hospitalares da região.
A Polícia Civil e a Defesa Civil de Belo Horizonte já iniciaram uma investigação rigorosa para apurar as responsabilidades criminais. Embora a instituição possuísse os alvarás sanitários e de funcionamento em dia, a principal linha de investigação aponta para uma intervenção humana negligente: uma obra de ampliação ilegal no topo do edifício. Peritos acreditam que a construção de um ginásio e de um centro de estética no último piso sobrecarregou a estrutura original, que não teria sido devidamente reforçada para suportar o novo peso.
A hipótese de o desabamento ter sido provocado pelas chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias foi praticamente descartada, uma vez que não foram registados movimentos de terras ou instabilidade geológica no terreno. O foco das autoridades recai agora sobre os proprietários e os engenheiros responsáveis pela obra, num caso que já está a ser acompanhado pelo Ministério Público e que reabre o debate sobre a fiscalização de lares e estruturas de acolhimento de idosos no Brasil.
Imagens: Itatiaia e SBT News