O setor da aviação enfrenta uma pressão financeira sem precedentes em 2026, impulsionada por um disparo de mais de 80% no preço do jet fuel desde o início do ano. Esta subida fulgurante, alimentada pelas tensões no Médio Oriente e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa um quinto do crude mundial —, está a inflacionar drasticamente os custos operacionais.
Dado que o combustível representa entre 25% a 30% das despesas totais das companhias, o aumento das tarifas nos bilhetes tornou-se uma consequência inevitável para tentar equilibrar as contas.
Para a TAP, o cenário é particularmente crítico e surge no pior momento possível: em pleno processo de privatização.
Cada subida de 10% no preço do combustível pode representar um custo adicional de 58 milhões de euros anuais para a transportadora portuguesa. A vulnerabilidade da empresa é agravada pelo facto de possuir níveis de proteção financeira (hedging) inferiores aos das suas congéneres europeias.
Se a volatilidade persistir, a rentabilidade da TAP será seriamente comprometida, o que poderá reduzir o seu valor de mercado e afastar potenciais investidores na fase de re-privatização em curso.