Apesar de se apresentar como um “presidente da paz”, Donald Trump tem protagonizado uma política externa marcada por intervenções militares e ameaças diplomáticas nos primeiros 14 meses do seu novo mandato, segundo uma análise publicada pelo jornal espanhol El Español.
De acordo com aquele diário digital espanhol, os Estados Unidos realizaram operações militares ou bombardeamentos em sete países, nomeadamente Venezuela, Somália, Iraque, Iémen, Síria, Nigéria e Irão, visando sobretudo grupos armados e infraestruturas consideradas estratégicas por Washington. A administração norte-americana justificou essas ações como parte da luta contra o terrorismo e da defesa dos interesses de segurança dos EUA.
Paralelamente, Trump terá adotado uma retórica particularmente agressiva em relação a outros países e territórios. Segundo o jornal, o presidente norte-americano ameaçou ou sugeriu ações contra mais seis, entre os quais Canadá, Groenlândia, Panamá, Colômbia e Cuba, em declarações que geraram forte polémica internacional e preocupação entre aliados tradicionais de Washington.
Para vários analistas citados pelo El Español, o contraste entre o discurso de Trump — que frequentemente afirma querer evitar novas guerras — e a prática da sua política externa revela uma estratégia baseada na pressão militar, económica e diplomática como instrumento de negociação.
O balanço dos primeiros meses de mandato sugere, assim, uma presidência marcada por forte assertividade internacional e pelo aumento das tensões em diferentes regiões do mundo.