A Universidade de Coimbra abriu uma investigação depois de vir a público um áudio discriminatório, partilhado num grupo de estudantes, que motivou a condenação das associações académicas e reacendeu o debate sobre respeito e inclusão no meio universitário.
Um grupo de WhatsApp dos alunos da Universidade de Coimbra virou tema de destaque nesta segunda-feira. Dentro desta comunidade, os alunos enviavam áudios e imagens com conteúdos discriminatórios, avança o “Correio da Manhã”.
Em causa está um áudio com cerca de cinco minutos, que contém vários insultos a mulheres, estrangeiros e imagens com apologia ao nazismo. Uma das capturas de som continha a seguinte frase: “A mulher é para bater, mais nada”, explica o jornal diário.
A mensagem de voz contém várias vozes, mas apenas um dos envolvidos já apresentou um pedido de “desculpas” à universidade, politécnico e associações de estudantes, mas sem identificar os colegas igualmente envolvidos, refere o “Diário de Notícias”.
Ao 24Horas, o presidente da Associação Académica de Coimbra, Carlos Magalhães, referiu que esta é uma situação que passou as barreiras da Universidade de Coimbra: “Vários alunos do Politécnico foram adicionados a esta comunidade, que continha alunos da Faculdade de Direito”.
Face à situação, o presidente repudia o ocorrido e garante que “o principal objetivo é apoiar os nossos alunos e que se faça justiça”.
Quanto aos envolvidos, Carlos Magalhães refere que a importância não reside na identidade, mas em que “todos sejam castigados pelo que fizeram”.
Por fim, avançou que a “Provedoria da Universidade de Coimbra entrou em contacto com o Instituto Politécnico de Coimbra para avançarem com uma investigação”.
As associações de estudantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa já tinham denunciado, no dia 5 de março, a mensagem de voz discriminatória. “O áudio, gravado por estudantes do Instituto Superior de Contabilidade e Administração, foi partilhado inicialmente num grupo de estudantes de Direito e acabou por se disseminar entre a comunidade académica”, explicam.
A Provedoria do Estudante da Universidade de Coimbra demonstrou a desaprovação face aos atos dos estudantes. “A Universidade de Coimbra reitera o seu compromisso centenário com o respeito por todos os membros da academia”; além da promessa, a mesma avança que deu início a uma investigação para apurar os envolvidos.