Juan Francisco Rodriguez dos Ramos – luso-venezuelano condenado a 30 anos de prisão, em 2019, por alegada tentativa de assassinato do presidente da Venezuela, traição e conspiração –, continua sem ser libertado mesmo depois dos Estados Unidos (EUA) terem capturado Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro.
O 24Horas falou com Maria Alejandra Rodriguez, a filha do militar, que atualizou a situação do preso político: “A situação continua a ser a mesma. Desde o 3 de janeiro, muitas coisas mudaram na Venezuela, mas, no caso do meu pai, tudo continua igual.” A captura de Maduro deu esperança à família, mas nada mudou: “Esperávamos que ele ficasse dentro da amnistia, mas não foi o caso.”
Maria Alejandra Rodriguez, com as emoções à flor da pele com a situação do pai, conta ainda que este se encontra “saudável”, mas que “tem um peso corporal abaixo da média para a sua altura”. No entanto, o que mais mudou em Juan Francisco Rodriguez, foi “o seu estado mental” devido às “libertações condicionadas de outros presos na prisão”, o que tem deixado o militar com “ansiedade” por não saber “quando vai ser, ou se vai chegar a sua vez”.

Ainda assim, há esperança: “O acompanhamento do governo português ao caso do meu pai tem mudado radicalmente [desde o dia 3 de janeiro]. A advogada, que é a pessoa que visita o meu pai, já fala de um seguimento do caso do meu pai por parte da embaixada e do consulado português, o que nunca tinha acontecido antes.”
A captura de Nicolas Maduro parece ter mudado a postura do Governo português em relação aos casos dos presos políticos portugueses na Venezuela: “O governo português tem-nos, finalmente, dado ouvidos, e às outras famílias dos presos políticos. Temos tido conversas com diferentes grupos parlamentares. Na Madeira, onde eu moro, já aprovaram um projeto de resolução na Assembleia Municipal para intensificar as ações diplomáticas. Mas ainda queremos mais.”
O governo português, no entanto, tem conhecimento da situação desta família desde 2019, quando o PS de António Costa liderava, mas, apesar dos esforços e desespero desta família que anseia por ajuda, “o governo português não deu nenhuma resposta.”
Fica ainda a esperança de haver desenvolvimentos no caso da libertação dos presos políticos pelo facto de Paulo Rangel apoiar o levantamento das sanções a Delcy Rodríguez – presidente interina da Venezuela: “O ministro de negócios estrangeiros, Paulo Rangel, já disse que ia apoiar o levantamento das sanções para Delcy Rodríguez no Parlamento Europeu. Isso só pode acontecer se houver uma negociação para libertar os presos políticos luso-venezuelanos, porque, se não, não percebemos porque se levantariam as sanções a alguém que tem torturado e assassinado tantas pessoas no seu próprio país.”
Por fim, Maria Alejandra Rodriguez diz que ainda não vê uma luz ao fundo do túnel: “O regime não dá listas, não dá datas, continua tudo igual. É como se o 3 de janeiro, para nós, não tivesse acontecido. Tínhamos a esperança que, à data de hoje, já poderia responder de uma forma diferente, mas continua tudo igual, a repressão continua.”

antes de ser preso

com o pai
