Frase do dia

  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
  • “Foi o 1.º de Maio de 1974 que transformou o golpe militar numa revolução em marcha”, Manuel Carvalho da Silva
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Jorge Morais

A Grécia Antiga consagrou a Ekecheiria – o aperto de mãos que selava a trégua sagrada durante os Jogos Olímpicos,...

A Grécia Antiga consagrou a Ekecheiria – o aperto de mãos que selava a trégua sagrada durante os Jogos Olímpicos, garantindo a livre circulação e a segurança de atletas, artistas e espectadores oriundos dos quatro cantos do mundo helénico – com frequência de cidades em guerra que em Olímpia suspendiam as hostilidades e encontravam um oásis inviolável de paz e entendimento.

Como esse exemplo superior de dignidade humana está esquecido! O fanatismo e o facciosismo tomaram conta, há muito tempo, de realizações culturais e desportivas que por natureza devem ser alheias a ódios e a feudos. Tornou-se, por isso, corriqueiro o “boicote” a festivais, conferências, concertos e jogos, visando com isso o banimento de participantes desta ou daquela origem, sob este ou aquele pretexto. 

A Bienal de Veneza, que há 131 anos oferece ao mundo uma amostra do que de melhor e mais inovador se faz em arquitetura, artes plásticas, música, dança, teatro e cinema, decidiu este ano ignorar os ventos do rancor e do dogmatismo e proclamar em vigor o velho lema da Ekecheiria olímpica. Na 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, a realizar entre maio e novembro de 2026, não há lugar a “boicotes”, seja sob que pretexto for.

Esta corajosa decisão, que devia ser louvada como expressão do mais elevado bem social que existe no ser humano – a capacidade de viver em comunidade no respeito pelo outro – teve o inesperado condão de incomodar as altas instâncias da política, que nem por cinco minutos aceitam que povos desavindos possam apertar as mãos e puxar uma fumaça no cachimbo do entendimento.

O pretexto para o incómodo foi a anunciada participação, na Bienal deste ano, de artistas oriundos da Rússia – como se fossem eles os responsáveis pela invasão da Ucrânia e ou pela escassez de democracia no seu país.

Muito agastados, a vice-presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, e o comissário europeu para a Cultura, Glenn Micallef, “condenaram veementemente” a decisão da organização de “permitir que a Rússia reabra o seu pavilhão nacional na 61.ª Exposição Internacional de Arte”, argumentando que a decisão “não é compatível com a resposta coletiva da União Europeia à agressão brutal da Rússia”.

Esta confusão tosca entre uma exposição de belas artes e uma mais do que duvidosa “resposta coletiva” a uma disputa territorial sob a forma de guerra já seria suficiente para desqualificar o maltês que ostenta o título de comissário europeu “para a Cultura”. Saberá ele o que a palavra significa?

Mas Virkkunen e Micallef não se ficam pela “condenação”: usando descaradamente a chantagem, ameaçam que “caso a Fundação Bienal decida avançar com a sua decisão de permitir a participação da Rússia, iremos considerar outras medidas, incluindo a suspensão ou cancelamento da subvenção da União Europeia concedida à Bienal” (770 mil euros por ano).

Não sei o que será mais grave – se a grosseria, se a pura estupidez dos comissários. Mas sei que fazem um triste e vergonhoso papel manchando com a mesquinhez uma decisão nobre da Bienal de Veneza. 

Na Grécia Antiga seriam expulsos de Olímpia e condenados ao escárnio de Zeus. Em Bruxelas recebem palmadinhas nas costas.