Carlos Moedas, de 55 anos, acusa o PS e o Chega de travarem novas ciclovias em Lisboa, mas o local onde gravou o apelo – e grande parte do projeto que defende – foi aprovado no mandato de antecessor, Fernando Medina (53).
O presidente da maior câmara do País utilizou as redes sociais para apelar aos autarcas da Assembleia Municipal a aprovarem mais quilómetros de ciclovia em Lisboa – enquanto andava de bicicleta. Durante a gravação, Moedas descreve os feitos que fez durante o mandato.
Um dos exemplos é quando o edil lisboeta afirma que, no mandato anterior, aumentou “a rede ciclável em mais de 88 km” e que Lisboa conta, atualmente, com “253 km de ciclovias”. Contudo, o 24Horas, ao consultar os dados, o portal municipal ‘Lisboa Aberta’ mostra que a cidade dispõe de 122 km de ciclovias, dos quais apenas 84 km são definitivos, enquanto 38 km permanecem provisórios. A mesma fonte indica que, no mandato anterior, foram construídos 13,9 km, sendo apenas 8,3 km de caráter permanente.
Moedas mostra, ainda, incoerência dentro da própria publicação, quando um utilizador questiona a prioridade atribuída às ciclovias. Perante a crítica, o edil respondeu diretamente, rejeitando a ideia de que o investimento nas ciclovias fosse prioritário no orçamento municipal.
“O Nuno é que falou em prioridade. Em nenhum momento do vídeo é falado em prioridade. E tanto não é que a verba aqui investida não tem comparação com as verbas investidas nas áreas que indica.” A troca evidencia a sensibilidade política do tema e a necessidade de clarificação sobre o peso real deste investimento face ao restante orçamento da autarquia.

Ainda sobre o projeto que Moedas quer ver aprovado, este diz que tem um custo de 6,3 milhões de euros entre 2026 e 2027. Porém, a análise da Proposta n.º 79/2026 e da minuta do Contrato de Mandato para Execução de Ciclovias 2026/2027 mostra que 5,5 milhões correspondem ao reembolso de obras não concluídas no mandato anterior (Fernando Medina) — e não a novos projetos.
O contrato é explícito ao referir que o montante diz respeito à “verba não executada do contrato de mandato anterior”, que a EMEL continuou a aplicar “sem mandato vigente”, mas sem possibilidade de suspender empreitadas já iniciadas.

As tabelas anexadas ao contrato revelam que os 8 km anunciados para 2026 correspondem exclusivamente a obras herdadas de 2025, enquanto os 23 km previstos para 2027 dizem respeito apenas à elaboração de projetos, sem execução prevista.
Estes números contrastam com as metas do Plano de Ação 2024-2025, que previa 173 km de ciclovias em 2024 e 263 km em 2025.
