Frase do dia

  • “É o manto verde a funcionar”, Rui Borges, com ironia sobre a arbitragem no Aves-Sporting
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Manuel dos Santos

A eleição de António José Seguro inaugurou um ciclo político que se pretende de estabilidade, mas que nasce, paradoxalmente, num...

A eleição de António José Seguro inaugurou um ciclo político que se pretende de estabilidade, mas que nasce, paradoxalmente, num ambiente de elevada volatilidade tanto interna como externa. O novo Presidente entra em funções num momento em que a política deixou de ser um exercício de gestão previsível para se tornar uma arte de contenção de danos.

Desde logo, o contexto internacional não oferece tréguas. A persistência de conflitos, a fragmentação geopolítica e a reconfiguração das cadeias de abastecimento continuam a pressionar os custos energéticos, com reflexos diretos no tecido económico europeu. Para um país como Portugal, estruturalmente dependente de importações energéticas, este cenário traduz-se em abrandamento económico, inflação persistente e constrangimentos adicionais à política monetária. O espaço para erro é, portanto, mínimo. E o novo Presidente, embora sem poder executivo direto, não poderá refugiar-se numa magistratura meramente simbólica: será chamado a intervir, a moderar expectativas e, sobretudo, a evitar que o ruído político interno amplifique fragilidades externas.

É precisamente no plano interno que se adivinham os testes mais exigentes. O Governo enfrentará uma pressão reformista intensa, não apenas por necessidade, mas, por imperativo político. A revisão da legislação laboral, a reforma do sistema de saúde, a crise habitacional, a resposta célere à destruição provocada por tempestades recentes e a definição de uma estratégia orçamental sólida para 2027, constituem dossiês incontornáveis. Em vários destes temas, o novo Presidente já deixou sinais claros de delimitação, particularmente no que toca à legislação laboral, onde dificilmente aceitará alterações que possam ser percepcionadas como desequilíbrios excessivos.

Ora, esta postura, compreensível do ponto de vista institucional, introduz um fator adicional de tensão. Um Presidente que estabelece linhas vermelhas demasiado cedo pode condicionar o espaço de manobra do governo.

E isso, num contexto de maioria relativa, pode ser o catalisador de bloqueios que a retórica da estabilidade não consegue disfarçar.

A ambição declarada de assegurar uma legislatura completa – o “grande objetivo” de Seguro – entra, assim, em choque com um ambiente político que começa a revelar sinais de “impaciência” eleitoral. O recente desentendimento em torno das nomeações para órgãos externos da Assembleia da República, em particular para o Tribunal Constitucional, é sintomático de uma deterioração precoce das relações institucionais. Quando os atores políticos começam a disputar posições, com lógica de campanha permanente, a estabilidade deixa de ser um objetivo partilhado e passa a ser apenas um argumento retórico.

Neste quadro, o papel do Partido Socialista será determinante e, simultaneamente, problemático. A fragilidade da atual liderança abre espaço a uma crescente contestação interna, já a ser protagonizada por figuras com peso político e mediático como Eduardo Ferro Rodrigues, Vital Moreira, Mariana Vieira da Silva ou Augusto Santos Silva. O denominador comum destas intervenções é claro: pressionar o partido a endurecer a sua oposição ao Governo da AD, ou seja, provocar instabilidade.

Este movimento coloca Seguro perante um dilema delicado. Por um lado, a sua legitimidade política assenta na promessa de estabilidade e moderação institucional. Por outro, o seu capital político será, inevitavelmente, associado ao seu partido de origem, que poderá seguir um caminho de crescente radicalização. A tensão entre estas duas dinâmicas não é meramente teórica: terá expressão concreta na gestão de crises, na promulgação de diplomas e na relação quotidiana com o Executivo.

Acresce um problema mais estrutural: a dificuldade do PS em fazer um balanço crítico do seu passado recente. A incapacidade de “racionalizar erros” fragiliza a sua posição enquanto alternativa credível e alimenta um discurso que, ao mesmo tempo que rejeita responsabilidades, exige protagonismo. A ideia, já verbalizada em vários círculos, de que “não se pode contar com aqueles que criaram os problemas para os resolver” é politicamente eficaz, mas pode encerrar uma armadilha.

Sem negar, em parte, o passado recente, o partido limita a sua capacidade de construir a reclamada estabilidade que, assim, se arrisca a ser menos um adquirido e mais um mero exercício de propaganda.

Seguro terá de gerir expectativas contraditórias, arbitrar conflitos institucionais e resistir à tentação de intervir para além do estritamente necessário. Porque, no fim, a estabilidade não se decreta.

Constrói-se, nomeadamente , quando os principais atores políticos aceitam que governar um país não é o mesmo que preparar a próxima eleição.

Estamos, pois, perante um desafio? Ou enfrentamos um resiliente paradoxo?