A resposta dos governos ibéricos ao impacto económico da guerra no Irão está a seguir caminhos distintos, tanto na ambição como nos instrumentos escolhidos.
Em Espanha, o executivo liderado por Pedro Sánchez aprovou um pacote robusto de cerca de 5 mil milhões de euros, centrado na descida do IVA para 10% sobre combustíveis, eletricidade e gás, bem como na redução de outros impostos energéticos. A medida visa aliviar diretamente o custo de vida das famílias e os encargos das empresas, num contexto de forte pressão nos mercados energéticos.
O plano espanhol inclui ainda apoios diretos ao setor dos transportes — com subsídios de até 20 cêntimos por litro de combustível — e medidas sociais relevantes, como a proibição de despedimentos em empresas que recebam ajudas públicas e o reforço de mecanismos de proteção aos consumidores mais vulneráveis. Há também controlo acrescido sobre margens empresariais e incentivos à mobilidade sustentável.
Já em Portugal, o Governo liderado por Luís Montenegro tem optado por uma abordagem mais gradual e seletiva, e que claramente aposta numa intervenção a nível europeu. As medidas passam sobretudo por ajustes fiscais pontuais, como reduções limitadas no ISP ou mecanismos de compensação para mitigar a subida dos combustíveis, evitando cortes mais profundos na carga fiscal. Ao contrário de Espanha, não houve uma descida generalizada do IVA sobre energia.
Lisboa tem apostado no equilíbrio orçamental e a manutenção de receita fiscal, apostando em apoios mais direcionados e temporários, em vez de um pacote amplo. Também não foi anunciada qualquer medida estrutural como a proibição de despedimentos associada a ajudas públicas.
A diferença entre os dois países reflete opções políticas distintas: Espanha avança com uma resposta mais interventiva e dirigida às famílias, assumindo maior impacto nas contas públicas para travar o choque inflacionista; e Portugal mantém uma linha de prudência orçamental, com medidas mais contidas e faseadas.