As autoridades britânicas estão a investigar a possibilidade do Irão estar a recrutar criminosos para executar ataques em território britânico, uma estratégia que dificulta a identificação dos responsáveis.
De acordo com responsáveis da segurança do Reino Unido, esta abordagem permite ao regime iraniano atuar de forma indireta. Kevan Jones, presidente do comitê de inteligência e segurança, alertou que o Irão está a “pagar a criminosos de pequena escala” para levar a cabo estas operações.
O mesmo Kevan Jones falou sobre o problema no programa ‘Today’ da BBC Radio: “No nosso relatório de 2025, salientámos que o regime iraniano – seja através da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), seja por meio dos serviços de segurança – ataca dissidentes e pessoas que criticam o regime, tendo também como alvo a comunidade judaica. Além disso, fá-lo cada vez mais de forma indireta, recorrendo a intermediários.”
Um exemplo é o ataque incendiário contra ambulâncias de uma organização judaica no norte de Londres, que aconteceu na madrugada de segunda-feira, dia 23 e que está sob análise das autoridades antiterrorismo. Um grupo extremista reclamou a sua autoria, mas os investigadores procuram possíveis ligações a Teerão.
Esta forma do Irão atuar, de acordo com o presidente do comitê de inteligência e segurança, é um método já utilizado pela Rússia: “Trata-se de um tipo de abordagem que os russos estão a utilizar. Se analisarmos, por exemplo, o ataque do ano passado a um armazém no leste de Londres, vemos que muitos daqueles indivíduos, que não estão diretamente ligados a qualquer grupo de crime organizado, simplesmente receberam dinheiro.”
Os serviços de informações britânicos já identificaram mais de duas dezenas de alegadas conspirações ligadas ao Irão desde o final de 2024, incluindo planos de assassinato, rapto e espionagem.
Veja o vídeo, captado por câmaras de vigilância, do ataque a quatro ambulâncias de uma organização judaica: