Pedro Sánchez voltou a reforçar a sua oposição ao conflito no Médio Oriente, classificando-o como um “desastre absoluto”. O primeiro‑ministro espanhol estabeleceu ainda um paralelo entre a atual guerra envolvendo EUA‑Israel e Irão e a invasão do Iraque em 2003, lembrando que, na altura, vários países foram “arrastados” pelos Estados Unidos, então liderados por George W. Bush.
O executivo espanhol recorda que a intervenção no Iraque se transformou “no maior desastre geopolítico do mundo depois da guerra no Vietname”, resultando em mais de 300 mil mortos e milhões de deslocados.
Para Sánchez, permanecer em silêncio perante o que descreve como uma guerra injustificada não é uma opção: “Isto é um desastre absoluto. Calar perante uma guerra injusta e ilegal não é prudência ou lealdade, é um ato de cobardia e de cumplicidade.”
O primeiro‑ministro alertou ainda para as consequências globais do conflito, que, no seu entender, está a destruir a legalidade internacional, a desestabilizar toda a região e a “enterrar Gaza nos escombros do esquecimento e da indiferença”. Acrescentou que o único resultado visível foi a substituição de uma liderança iraniana por outra “ainda mais sanguinária”, além de beneficiar a Rússia, enfraquecer a Ucrânia e perturbar a economia mundial.
“A última coisa de que precisava o mundo era de outra guerra”, afirmou, sublinhando tratar‑se de “uma guerra ilegal e absurda” que desvia os governos das suas prioridades internas, como serviços públicos ou habitação, e “alimenta os interesses de uns poucos”.
Sánchez lamentou ainda o impacto económico sobre os cidadãos europeus: “Não é justo que alguns incendeiem o mundo e outros tenham de engolir as cinzas. Não é justo que os espanhóis e espanholas e o resto dos europeus tenham de pagar do seu bolso a fatura desta guerra ilegal.”