A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk viu chegar ao fim o seu domínio absoluto sobre a semaglutida, o princípio ativo que revolucionou o tratamento da obesidade sob as marcas Ozempic e Wegovy. Findo o período da exclusividade da patente em dez países, o mercado global prepara-se para uma transformação radical liderada pela Índia, conhecida por ser a “farmácia do mundo”.
A Índia, aproveitando a sua vasta infraestrutura de produção de genéricos a baixo custo, já iniciou o fabrico das primeiras cópias destes fármacos. A perda da exclusividade legal representa um momento de viragem: a semaglutida, que até agora impulsionou a riqueza nacional da Dinamarca e gerou lucros recorde, passa a estar disponível a uma fração do preço original em mercados emergentes.
Espera-se que as primeiras versões genéricas indianas cheguem às farmácias já nos próximos dias. Esta abertura de mercado promete democratizar o acesso a um tratamento que, devido ao seu elevado custo, era inacessível para milhões de pacientes fora do eixo ocidental. Embora estas versões baratas ainda não possam ser exportadas para a Europa ou para os Estados Unidos — onde as patentes permanecem protegidas por leis mais restritas —, a quebra do monopólio na Ásia marca o início do declínio do controlo total da Novo Nordisk sobre o setor.
A entrada dos laboratórios indianos nesta corrida não só pressiona os preços globais, como desafia a estratégia de longo prazo da multinacional dinamarquesa, que enfrenta agora o seu maior teste de concorrência desde o lançamento do fármaco.