Ao fim de três anos, Angola passou o ‘bastão’ da presidência rotativa da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP) para as mãos da Guiné Equatorial, que, a partir de agora, assume a liderança daquele bloco de 79 países anteriormente designado como ‘grupo ACP’, e que mantém uma parceria estreita com a União Europeia.
No seu discurso de balanço e despedida da chefia da OEACP, ocorrido na 11.ª Cimeira, que se realizou em Malabo, capital da Guiné Equatorial, João Lourenço defendeu uma profunda renovação da organização, com vista a reforçar o seu peso e influência num contexto internacional, hoje cada vez mais marcado por tensões geopolíticas, económicas e desafios climáticos: “Todos somos chamados a fazer alguma coisa para mudar o atual estado das coisas, começando por exigir o fim das guerras em África, na Europa e no Médio Oriente”, enfatizou o presidente angolano.
João Lourenço sublinhou que a organização atravessou um dos períodos mais exigentes da sua história, mas conseguiu manter a coesão interna e avançar com reformas estruturais, destacando, nesse âmbito, o reforço da parceria com a União Europeia, materializado no Acordo de Samoa, considerado um marco na evolução das relações entre os dois blocos, agora assentes numa lógica estratégica e não assistencialista.
O chefe de Estado angolano enfatizou ainda a prioridade dada à juventude como motor de transformação económica e social, bem como a necessidade de diversificar fontes de financiamento e reforçar a sustentabilidade institucional da organização. Entre os avanços, apontou a institucionalização da ‘troika’, como mecanismo de decisão política, e a criação da função de mobilização de recursos financeiros. No plano internacional, João Lourenço adotou um tom crítico face à crescente instabilidade global, alertando para o risco de recessão mundial e denunciando intervenções militares motivadas pelo controlo de recursos estratégicos.
“O mundo não suporta por muito mais tempo o agravar das crises de segurança, humanitária, energética, alimentar e climática, todas elas causadas pela ação irresponsável do homem”, sublinhou o presidente angolano, ao mesmo tempo que defendeu um multilateralismo mais equilibrado e apelou ao fim dos conflitos em várias regiões do globo.