Frase do dia

  • “Rui Borges é muito inteligente. Mais do que aquilo que as pessoas pensam”, José Mourinho
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Carlos Reis

A evolução recente do conflito no Médio Oriente projeta sinais inquietantes de confusão, mesmo desnorte e um derrotismo semeado e...

A evolução recente do conflito no Médio Oriente projeta sinais inquietantes de confusão, mesmo desnorte e um derrotismo semeado e regado pela Comunicação Social, que não podemos mais ignorar.

Mais do que um confronto regional, estamos perante um teste à coesão política, moral e estratégica das democracias liberais.

Desde logo, torna-se visível uma preocupante fractura no seio da NATO.

A divergência entre os Estados Unidos, muito acicatada por um presidente grosseiro, injusto e meramente transacional, e vários aliados europeus, quanto ao posicionamento e à resposta ao conflito, revela não apenas diferenças táticas, mas uma erosão da unidade dos membros da Aliança, que, durante décadas, sustentou a primazia ocidental num quadro de relativa estabilidade internacional.

Paralelamente, assiste-se a um desinteresse crescente (quando não hostilidade aberta) das opiniões públicas, em particular a própria opinião pública americana, relativamente a novas intervenções militares no Médio Oriente, que depois dos falhanços morais do Iraque e do Afeganistão, vêm agora apenas como aventuras imprudentes, independentemente da justificação possível de cada uma.

Este retraimento, fruto de um derrotismo auto-imposto, fragiliza a capacidade dissuasora americana e ocidental.

A coincidência temporal entre um presidente transacional e narcisista como Trump e um Primeiro-Ministro que se vê a si mesmo como Rei de Israel, não apenas da terra soberana que o Direito e a Comunidade Internacional lhe reconhecem desde 1948 e 1967, mas também da futura nova terra de Sião que ele ambiciona arrancar entre a confusão dos tempos recentes, tanto pode vir ser o triunfo inusitado de uma nova era de paz, como a queda final no abismo.

Gazificar o Sul do Líbano, simplificar demograficamente a Cisjordânia, repartida apenas entre a população muçulmana e a dos colonatos judaicos, afastando dessa terra os últimos vestígios de cristandade, como se tem verificado, perante a completa indiferença do Ocidente, em Taybeh, a última aldeia inteiramente cristã na Cisjordânia, cujos ataques de colonos, incluindo incêndios a carros e intimidação próximo à Igreja de São Jorge, se verificam com a autorização do governo de fanáticos de Benjamin Netanyahu, que igualmente deixou de reconhecer legalmente a equivalência das escolas cristãs da Cisjordânia, primeiro passo para a erradicação cultural futura da cristandade na região.

Na sua opção de ficar sozinho e de contar apenas com os Estados Unidos, Israel vê a Europa como a América a vê: ruas hostis, governos europeus cada vez mais dependentes de porções de eleitorado muçulmano, e uma realidade geopolítica em declínio.

Perante isto, no plano simbólico e civilizacional, a proibição do Patriarca Latino de Jerusalém de celebrar o Domingo de Ramos nos Lugares Santos constitui um sinal profundamente perturbador.

Tal episódio não é apenas religioso: representa uma limitação da liberdade de culto num espaço historicamente central para o cristianismo, colocando em causa a proteção das minorias e o equilíbrio inter-religioso.

Mais inquietante ainda é o redobrar de políticas de anexação na Cisjordânia e o surgimento de ambições semelhantes no sul do Líbano.

Estes movimentos, a confirmarem-se, ameaçam comprometer qualquer solução baseada sequer num resquício de aparência de Direito Internacional e agravar tensões já explosivas.

Em conjunto, estes sinais apontam para um cenário de crescente instabilidade, onde o enfraquecimento das alianças, o cansaço das democracias e a radicalização no terreno podem redefinir, de forma duradoura, o equilíbrio entre o Ocidente e o Médio Oriente.

Oxalá que os americanos, depois desta sua intervenção, não traiam de novo o povo do Irão, que ainda há poucos meses se levantou nas ruas do seu país exigindo liberdade, pagando o preço em milhares de mortos.

Se os americanos se meteram ali só uma coisa os fará resgatar moralmente aos olhos das pessoas: mudar aquele regime. Libertar aquele povo.

Só mesmo isso justifica este último mês de indecisão e este medo irreal de assumir de vez uma meia dúzia de ilhas desabitadas no Golfo, e uns 30 kms de costa, para manter livre uma via de comércio internacional.

Tempos de véspera estes.