A ligação entre o BRB e o Banco Master está no centro de uma crise que levanta dúvidas sobre transparência e gestão de risco no sistema financeiro brasileiro. Nos últimos anos, o banco público passou a intensificar operações com o Master, afastando-se do seu perfil tradicional mais conservador e entrando num terreno de maior exposição a ativos complexos e de risco elevado.
Essa mudança tornou-se mais evidente com a aquisição de carteiras de crédito problemático – dívidas com baixa probabilidade de recuperação – num movimento que, em condições normais, pode fazer parte da estratégia de mercado. O que chamou a atenção foi o volume dessas operações e, sobretudo, a sua dinâmica. Um dos episódios mais recentes envolveu a compra dessas carteiras pelo Banco Master e a sua revenda ao BRB em menos de 24 horas, entre a terça-feira de Carnaval e a quarta-feira de Cinzas. A rapidez da transação levanta dúvidas sobre a avaliação real dos ativos e sobre a lógica financeira do negócio.
Este tipo de operação, quando ocorre de forma isolada, pode ser interpretado como oportunismo de mercado. No entanto, inserida num contexto de crescente proximidade entre as duas instituições, passa a ser vista como parte de uma estratégia mais ampla. Analistas apontam que o BRB poderá ter assumido riscos superiores ao habitual ao absorver ativos originados ou intermediados pelo Banco Master, aumentando a sua vulnerabilidade.
É precisamente neste ponto que o atraso na divulgação dos resultados de 2025 ganha relevância. O BRB não apresentou as contas dentro do prazo esperado, num momento em que o mercado aguarda esclarecimentos sobre o impacto dessas operações. Embora atrasos possam ocorrer por razões técnicas, a coincidência com o aumento da exposição a ativos de risco reforça a desconfiança.
A leitura que ganha força entre observadores do mercado é direta: os problemas do BRB começam a tornar-se visíveis após o aprofundamento da relação com o Banco Master. Não se trata, até ao momento, de uma conclusão definitiva sobre irregularidades, mas de uma sequência de factos que levanta questões sobre critérios de decisão, avaliação de ativos e mecanismos de controlo.