A juíza Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara Federal de São Paulo, concedeu liberdade provisória a Thiago Branco de Azevedo, conhecido como ‘Ralado’, apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal operador de uma rede de ‘testas de ferro’ ao serviço do Comando Vermelho (CV) e da holding de investimentos Fictor. A decisão, proferida na última terça-feira, 31 de março, beneficiou outros 14 investigados no âmbito da Operação Fallax.
Ao fundamentar a decisão, a magistrada sublinhou a inexistência de antecedentes criminais do investigado e o facto de os crimes imputados terem sido praticados sem violência ou grave ameaça. ‘Ralado’ tinha-se entregado às autoridades em Piracicaba dois dias após a deflagração da operação, acompanhado pela mulher e pelo cunhado, que também foram libertos.
Segundo a investigação, o suspeito criava centenas de empresas fictícias para obter empréstimos bancários fraudulentos, contando com a conivência de gerentes de bancos mediante o pagamento de subornos. A rede teria movimentado milhões e estaria ligada à cúpula da Fictor, cujo CEO, Rafael Góis, é alvo de buscas e teve 47 milhões de reais (cerca de 8,5 milhões de euros) bloqueados pela Justiça.
Apesar da liberdade, os arguidos estão proibidos de contactar outros investigados, de mudar de residência e de realizar novas movimentações bancárias em contas de terceiros. A juíza manteve, contudo, a prisão preventiva de dois suspeitos que tentaram a fuga e de outros três que permanecem foragidos.