Uma cadela sozinha, rochas cobertas de musgo e uma cascata no coração selvagem da Nova Zelândia. O que se seguiu comoveu um país inteiro.
Havia uma semana que Molly esperava. Sozinha, no sopé de uma cascata, rodeada de rochas afiadas e névoa fria, numa das zonas mais remotas da Nova Zelândia. A sua dona, Jessica Johnston, tinha caído por uma ravina de 55 metros durante uma caminhada em Campbell Range, no vale de Arahura, e sido resgatada com ferimentos graves. Molly ficou para trás. Ninguém sabia se ainda estava viva.
A história podia ter terminado aí. Mas não terminou. Lillian Newton, da Precision Helicopters, disse ter tido “um pressentimento” de que a border collie sobrevivera. A pequena empresa familiar não tinha orçamento para um resgate privado já que o aluguer de um helicóptero custa cerca de 50 dólares por minuto e na Nova Zelândia não existe qualquer financiamento oficial para resgatar animais perdidos no interior selvagem. Ainda assim, Lillian decidiu arriscar e lançou um apelo ao público.
Em oito horas, chegaram 11.500 dólares de completos desconhecidos espalhados por todo o país. Dinheiro suficiente para montar uma missão.
A equipa era voluntária, experiente e determinada. Georgia voou de Christchurch com equipamento de imagiologia térmica. Wayne, tripulante de helicóptero de profissão, juntou-se à missão e levou consigo teve o seu Jack Russell, Bingo, para apoio emocional, caso Molly estivesse assustada. Matt Newton, antigo piloto de resgate e pai de Lillian, ficou aos comandos.
Foram directamente ao sítio onde Jessica tinha caído. E Molly estava lá. A teoria da equipa é que a cadela nunca terá caído pela cascata. Terá passado a semana inteira a tentar regressar ao último lugar onde tinha estado com a dona — e conseguiu. Matt manteve o helicóptero a pairar enquanto Wayne descia. Ofereceu um bocado de salsicha a Molly, pegou nela ao colo e levou-a para bordo. O vídeo do momento mostra Molly debaixo de um braço e Bingo debaixo do outro.
Nenhum deles conhecia Jessica ou Molly antes desta missão. Não importou.
Jessica Johnston recupera agora de um cotovelo fracturado e nódoas negras da cabeça aos pés. Mas numa publicação no Facebook, escreveu que tinha sido “uma semana de rachar” — e que, com as duas de volta a casa, pode “acrescentar esta aventura à lista.”
“Diria que vai recuperar muito melhor agora”, disse Lillian Newton, com a contenção de quem já viu muita coisa, mas não ficou indiferente a esta.
Créditos Vídeo: Precision Helicopters