O momento político que o país atravessa exige liderança serena, capacidade de diálogo e sentido de responsabilidade institucional. Nesse plano,...
O momento político que o país atravessa exige liderança serena, capacidade de diálogo e sentido de responsabilidade institucional. Nesse plano, José Luís Carneiro tem correspondido às expectativas. Como secretário-geral do Partido Socialista, tem procurado recentrar o debate político, promovendo a cooperação entre forças partidárias e contribuindo para a pacificação de um clima que, nos últimos anos, se tornou excessivamente crispado.
Essa postura dialogante e moderada não é apenas desejável é fundamental. Num contexto de fragmentação e polarização, Carneiro surge como uma figura capaz de construir pontes, de reduzir tensões e de recolocar a política no interesse público. Assim, é legítimo afirmar que está a ser o secretário-geral do PS que o país precisa.
Contudo, essa mesma virtude parece não encontrar tradução no plano interno do partido. Dentro do PS, José Luís Carneiro enfrenta uma encruzilhada que ainda não conseguiu resolver. A prometida renovação do aparelho partidário ficou a meio da ponte, nem ruptura clara com o passado, nem afirmação consistente de uma nova geração política.
Ao manter-se amarrado a figuras com demasiado passado e pouco futuro, o líder socialista arrisca comprometer a credibilidade do seu projecto interno. A falta de uma renovação efectiva enfraquece a capacidade mobilizadora do partido e adia um debate essencial sobre o seu rumo.
Entre o país e o partido, Carneiro tem conseguido responder ao primeiro. Falta-lhe agora decidir inequivocamente sobre o futuro do segundo.