Uma operação das autoridades brasileiras expôs mais um caso chocante de exploração laboral no país. Imigrantes foram resgatados de oficinas de costura em Minas Gerais, onde viviam e trabalhavam em condições comparáveis à escravidão.
No local, os trabalhadores enfrentavam jornadas longas e exaustivas, sem pausas adequadas e em ambientes considerados perigosos para a saúde. Muitos dormiam nas próprias oficinas, em espaços improvisados e sem qualquer estrutura digna, dividindo áreas de descanso com máquinas e materiais de produção.
As investigações indicam que a produção estava integrada na cadeia de fornecimento de marcas do setor têxtil, levantando dúvidas sobre o controlo e a fiscalização na origem das peças que chegam ao consumidor final.
Entre as irregularidades encontradas estão suspeitas de retenção de documentos, salários muito abaixo do mínimo e restrições à liberdade dos trabalhadores – elementos que configuram o crime de trabalho similar à escravidão no Brasil.
As vítimas foram retiradas dos locais e encaminhadas para apoio social e regularização da situação. Já os responsáveis pelas oficinas poderão ser responsabilizados criminalmente.
O caso volta a colocar sob pressão a indústria da moda, num momento em que cresce a cobrança por transparência e responsabilidade nas cadeias de produção.