Em novembro de 2023, ainda chefe do Estado Maior da Armada, o Almirante Gouveia e Melo anunciou a construção de um navio que ele próprio inventou – um navio revolucionário, multifunções, como nenhuma Marinha de Guerra europeia tinha. Dois anos e meio depois, o navio já flutua.
Parece um porta-aviões em ponto pequeno. É um porta-drones e um navio multifunções concebido por Gouveia e Melo. Os drones voadores e submersíveis são os soldados e os marinheiros do futuro – comandados à distância de muitas milhas, com a ajuda de logaritmos e inteligência militar, por especialistas a bordo de um navio-mãe.
Portugal, por iniciativa e empenho de Henrique Gouveia e Melo, já tem esse navio pioneiro, batizado D. João II. Está a ser construído num estaleiro romeno sob supervisão da engenharia naval dos Países Baixos. Custou 130 milhões de euros. O então chefe do Estado-Maior da Armada teve de convencer muita gente – do poder político a empresas e universidades, para o Governo chefiado por António Costa aceitar inscrever quase a verba no Programa de Recuperação e Resiliência.
O almirante recorda ao 24Horas que não foi convidado para a cerimónia de flutuação do ‘seu’ navio: “Já não estou no ativo, não fui convidado”, diz com um sorriso.
O D. João II terá tecnologia de ponta que vai permitir a monitorização dos oceanos e investigação oceanográfica bem como o acompanhamento da ecologia marinha. Estará também apto para operações de emergência, vigilância, investigação científica e tecnológica e monitorização ambiental e meteorológica, funcionando como um porta-drones aéreos, terrestres e submarinos.