Um jato executivo despenhou-se na segunda-feira,13, na Bolívia, após um comportamento de voo altamente irregular, que se prolongou durante várias horas e terminou numa descida abrupta antes do impacto. O caso está a ser tratado como um dos episódios mais enigmáticos recentes da aviação no país.
A aeronave, um Cessna Citation com matrícula CP-3243, descolou do aeroporto de El Alto, em La Paz, com destino a Santa Cruz. Cerca de 30 minutos depois do início do voo, a tripulação deixou de responder às comunicações, quando o aparelho já sobrevoava a região montanhosa de Cochabamba.
Os dados de rastreamento revelam que o primeiro sinal claro de anomalia ocorreu às 08:55 (13:55 em Lisboa). A partir desse momento, o jato passou a executar um padrão circular repetitivo, permanecendo durante um longo período a voar em órbitas sucessivas sobre a mesma área, sem qualquer contacto rádio ou indicação de emergência.
Durante essa fase, a aeronave iniciou uma descida gradual, passando de cerca de 39 mil pés para aproximadamente 19.375 pés. O comportamento manteve-se estável do ponto de vista de trajetória – sempre em círculos –, mas anómalo pela ausência total de comunicação e pela incapacidade de corrigir a rota para o destino previsto.
A situação agravou-se de forma crítica já perto do final do voo. Por volta das 10:h57 (15:57 em Lisboa), os registos indicam uma mudança brusca no perfil de descida: o avião entrou numa queda acentuada, com uma velocidade próxima de 15 mil pés por minuto, um valor considerado extremo e incompatível com uma descida controlada.
Poucos minutos depois, já cerca das 11:00 locais (16:00 em Lisboa), o sinal de radar foi definitivamente perdido. A última posição conhecida situava a aeronave a aproximadamente 76 milhas de Cochabamba, no radial 45. A queda viria a ser confirmada posteriormente pelas autoridades bolivianas.
A bordo seguiam dois pilotos. Até ao momento, não foi divulgada informação oficial detalhada sobre vítimas, enquanto as equipas de busca e resgate continuam a enfrentar dificuldades no acesso ao local do acidente, devido ao relevo acidentado e à vegetação densa da região.
Entre as principais hipóteses em análise está a possibilidade de despressurização da cabine, um cenário que poderá ter levado à incapacitação da tripulação. Essa hipótese é considerada compatível com o padrão de voo observado: a aeronave teria permanecido em piloto automático, executando órbitas, até à perda de controlo em fase final.
Ainda assim, os investigadores sublinham que todas as linhas permanecem em aberto, incluindo eventuais falhas técnicas ou outros fatores humanos.
O acidente ocorre num momento de maior pressão sobre a segurança aérea na Bolívia, depois de outro episódio grave registado recentemente, aumentando o escrutínio internacional sobre os procedimentos e a resposta das autoridades.
As investigações prosseguem, enquanto se aguardam respostas para um caso que levanta mais perguntas do que certezas.