Catarina Furtado, de 53 anos, decidiu pronunciar-se sobre a polémica gerada pelas declarações de Cristina Ferreira (48) relativas ao julgamento dos quatro influenciadores acusados de violação de uma jovem de 16 anos, gravação do ato e posterior divulgação das imagens nas redes sociais.
A apresentadora do ‘The Voice Portugal’, da RTP1, explica que optou por aguardar alguns dias antes de reagir, de forma a não responder “a quente”, sublinhando que se trata de um tema que “provoca muitas reações acesas”.
“Critico fortemente todo o tipo de insultos gratuitos que se soltam em momentos destes”, afirma, acrescentando que esse tipo de discurso “em nada contribui para a reflexão”. Garante ainda: “Faço-o, sem nenhuma ponta de ódio, mas por vários motivos.”
Catarina Furtado lembra que “a frase que motivou a indignação coletiva e milhares de queixas na ERC foi dita por uma colega que tem a mesma profissão”, ainda que reconheça diferenças de estilo e postura. No entanto, sublinha que ambas partilham “a responsabilidade de ter um microfone aberto para milhões de pessoas”, acrescentando que conhece “o que é ter muita exposição (para o bom e para o mal), mas também o que representa essa responsabilidade”.
A apresentadora defende que “errar em direto acontece”, algo que admite já lhe ter sucedido, mas reforça que “pedir desculpa e tentar fazer melhor é sempre uma opção”. Ainda assim, considera que não se trata de um episódio isolado, referindo que “o que foi dito (…) e outras frases do mesmo género ao longo dos anos” revelam, na sua perspetiva, “uma falta de noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta”.
“Não é intencional, é estrutural”, afirma, apontando o que descreve como “uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres” e que, segundo a sua análise, contribui para a banalização da violência e da desigualdade de género.
Catarina Furtado alerta ainda para a necessidade de maior preparação quando se abordam temas sensíveis: “Comentar assuntos seríssimos de cidadania e direitos humanos exige preparação, leitura de informação fidedigna e verificação de estudos”.
“Frases públicas ambíguas sobre violência não são só frases infelizes”, acrescenta, sublinhando que, no seu entendimento, este tipo de discurso tem impacto real. “Na chamada ‘vida real’ o que testemunho é que as meninas andam cada vez com mais medo e não ‘se põem a jeito’ quando estão apenas a viver os seus direitos”, refere, considerando que o episódio representa “um tremendo beliscão à civilização”.
Por fim, a apresentadora defende a necessidade de “consciência, empatia e curiosidade” no debate público e alerta para a influência de formatos mediáticos: “O discurso dos reality shows (…) contribui também para a normalização de comportamentos tóxicos e de manipulação”, afirma.
Catarina Furtado esclarece ainda que a sua posição foi partilhada “a pensar na filha” e sublinha que não deve ser interpretada como “um ataque pessoal a uma colega de profissão”.