A fotografia intitulada ‘Separados pelo ICE’, captada pela fotojornalista Carol Guzy para o Miami Herald, tornou-se uma das imagens mais marcantes sobre as políticas de imigração nos Estados Unidos. O registo mostra o momento em que o equatoriano Luis é detido por agentes do ICE, em agosto do ano passado, deixando para trás a mulher e os três filhos, de 7, 13 e 15 anos.
A fotografia foi tirada no interior de um edifício federal que, excecionalmente, permitiu o acesso à imprensa. Na imagem, destacam-se os rostos em lágrimas e desespero das filhas, que tentam agarrar-se ao pai enquanto este é levado pelas autoridades.
Ao reagir à distinção, a autora sublinhou o impacto humano por detrás da imagem: “Este prémio destaca a importância crucial desta história a nível mundial. Testemunhámos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também a sua dignidade e resiliência, que transcendem a adversidade.” A fotojornalista acrescenta ainda que “a coragem de abrirem as suas vidas às nossas câmaras permitiu-nos contar as suas histórias” e considera que “este prémio pertence-lhes a eles, não a mim”.
Também o júri do World Press Photo destacou o contexto em que a imagem foi captada, referindo que 2025 ficou marcado por um endurecimento sem precedentes das políticas de controlo migratório nos Estados Unidos. Para os jurados, a fotografia evidencia “a dor infligida por medidas aplicadas a pessoas inocentes” e representa mais do que um momento isolado: “Esta fotografia capta o momento angustiante da separação de uma família (…) o que Guzy regista aqui não é um episódio pontual, mas a prova de uma política governamental aplicada de forma sistemática”.
O júri referiu que “numa democracia, a presença da câmara naquele corredor não é acidental, é essencial”, sublinhando o papel do fotojornalismo na documentação de realidades sensíveis.
O concurso deste ano analisou 57 mil e 376 imagens de 3 mil e 747 fotojornalistas provenientes de 141 países, tendo ainda distinguido duas fotografias finalistas. A primeira, ‘Crise da Ajuda em Gaza’, de Saber Nuraldin para a EPA, retrata uma multidão de palestinianos a subir para um camião de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, num momento de “suspensão tática” das entregas, segundo as forças israelitas.

Já a segunda finalista, ‘Os Julgamentos das Mulheres Achi’, de Victor J. Blue para a The New York Times Magazine, mostra um grupo de mulheres indígenas à saída de um tribunal na Cidade da Guatemala, após décadas de luta judicial. Entre elas está Doña Paulina Ixpatá Alvarado, vítima de violência durante a guerra civil guatemalteca, num caso que culminou com a condenação de antigos membros de uma patrulha civil a 40 anos de prisão por crimes contra a humanidade.
