Uma carta aberta dirigida ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, e ao ministro da educação, Fernando Alexandre, escrita pelo especialista em mobilidade sustentável, Nuno Zamaro, defende que Portugal continua a agir tarde quando se trata de prevenção rodoviária.
Os dados recentes da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), que contabiliza mais de 44 mil acidentes e 146 vítimas mortais “não deixam margem para indiferença”. O 24Horas falou, em exclusivo, com Nuno Zamaro.
“Estamos a combater consequências, não estamos a combater causas”, disse o especialista em mobilidade sustentável que defende ainda que sem uma intervenção de base pouco ou nada mudará.
Apesar de tudo, há um reconhecimento de Nuno Zamara de que há alterações bastantes positivas: “É de louvar a atitude do ministro da Administração Interna. O Luís Neves está a seguir um caminho muito assertivo, que não estávamos habituados.” Ainda assim, aponta um problema cultural português: “Padecemos do mal de reagir à autoridade.”
O especialista insiste que a mudança passa pela educação precoce, sobretudo até aos 12 anos, fase considerada decisiva para a aprender comportamentos seguros: “Se não integrarmos mudanças drásticas, como colocar a mobilidade como referência dentro da escola, pouco ou nada vamos conseguir fazer.”
A análise baseia-se na experiência no terreno, com intervenção junto de cerca de 46 mil alunos, o equivalente a 8% da população estudantil, explica.
Como solução, a carta propõe integrar a mobilidade ativa no currículo escolar, atualizar a prevenção rodoviária, que considera estar “parada no tempo”, e apostar em programas contínuos nas escolas. O objetivo é replicar exemplos de sucesso, como na reciclagem: “Quando entrou nas escolas, as crianças passaram a educar os adultos”, relembra.
O alerta é claro. Sem uma mudança estrutural com foco na educação, o País continuará a investir em medidas que chegam tarde: “Se não começarmos agora por baixo, vamos continuar na mesma”, conclui.