Um ano depois do apagão que deixou a Península Ibérica às escuras, o grupo de aconselhamento técnico criado pelo Governo aponta novas medidas para evitar falhas semelhantes no futuro. Entre as principais recomendações está a criação de um “gémeo digital” do sistema elétrico ibérico, uma réplica virtual que permitirá antecipar riscos e testar respostas a possíveis perturbações.
O relatório, divulgado esta semana, defende o reforço da estabilidade e da robustez da rede, com destaque para o controlo dinâmico da tensão e para uma maior capacidade de resposta rápida a incidentes. Os especialistas sublinham ainda a importância de apostar numa gestão mais preventiva, automatizada e baseada em inovação tecnológica.
O documento critica também os atuais processos de planeamento das redes elétricas, considerando que são demasiado lentos. Em alguns casos, os planos são aprovados anos depois de definidos, tornando-se parcialmente desatualizados. Por isso, é sugerida a retirada do envolvimento formal da Assembleia da República neste processo.
O executivo liderado por Luís Montenegro já estará a analisar investimentos em tecnologias de controlo de tensão e a estudar formas de simplificar e acelerar os mecanismos de aprovação. Está igualmente previsto um estudo sobre os Custos Totais do Sistema.
Além disso, o relatório alerta para os desafios trazidos pela transição energética. O aumento da produção a partir de fontes renováveis exigiu mais investimento, trouxe maior volatilidade aos mercados e elevou o risco operacional do sistema.
Por fim, os especialistas defendem uma maior coordenação a nível nacional, bem como um reforço da cooperação ibérica e europeia, sublinhando a necessidade de uma liderança mais clara no setor elétrico.