Frederico Varandas, de 46 anos, oficializou esta sexta-feira, dia 1, em Alvalade, a renovação de Rui Borges (44) até 2028, e aproveitou a conferência de imprensa para fechar o debate sobre a continuidade do treinador, mesmo num momento em que o Sporting atravessa uma série de cinco jogos sem vencer, perdeu a possibilidade de chegar ao tricampeonato e complicou a luta pelo 2.º lugar.
O presidente do clube leonino apresentou a extensão do vínculo como uma decisão estrutural, e não conjuntural, explicando que a SAD não governa “por marés” nem ao sabor do ruído exterior. “Não tomamos decisões por marés. Não navegamos à vista, ou ao sabor do que dizem. O Sporting navega com base em convicções nos métodos de trabalho.”
Confrontado com o timing do anúncio, Varandas rejeitou a ideia de que a renovação tenha sido precipitada ou politicamente motivada. Pelo contrário, enquadrou-a numa lógica de convicção antiga e recordou o precedente de Ruben Amorim para sustentar a opção. “Não é o momento desportivo, não são 15 dias de decisões (…) que se tornam o fator preponderante de uma renovação”, disse, antes de lembrar que já renovara com “um grande treinador que passou nesta casa” numa fase em que a equipa estava ainda pior classificada. O líder dos leões acrescentou que, se tivesse deixado o dossier arrastar-se até ao último ano de contrato, seria criticado da mesma forma por não ter agido mais cedo.
Na mesma intervenção, Frederico Varandas fez uma defesa cerrada do perfil de Rui Borges e da relação que mantém com a estrutura. O presidente sublinhou que “é um homem sério e comunica pela sua cabeça”, numa frase que serviu para reforçar a confiança pessoal e profissional depositada no técnico. A renovação confirma, assim, a intenção do Sporting de manter estabilidade no comando da equipa principal, apesar da quebra competitiva verificada na ponta final da época.
Varandas procurou ainda enquadrar a descida de rendimento da equipa na exigência do calendário e na ambição mostrada pelo Sporting ao longo da temporada. Numa das passagens mais fortes da sessão, admitiu que o líder do campeonato “é justo”, mas contrapôs com uma leitura sobre o contexto leonino: “rodava oito na Liga Europa”, sugerindo que o esforço acumulado em várias frentes competitivas pesou no rendimento interno. O dirigente máximo dos bicampeões foi mais longe e defendeu mesmo que, sem a caminhada europeia e sem alguns contratempos recentes, os leões conquistariam o tricampeonato.
Depois das palavras de Varandas e das fotos da praxe, seguiu-se Rui Borges, um homem “muito feliz no Sporting” com a renovação de contrato até 2028, que representa “um grande orgulho e uma grande satisfação”. A vontade de “marcar a história do clube com troféus” com trabalho é a sua maior promessa.