Enquanto a crise no Estreito de Ormuz continua a abalar a economia global, os Emirados Árabes Unidos destacam-se como o ator regional com resposta mais determinada e estruturada ao conflito com o Irão.
Abu Dhabi deu um passo histórico ao sair da OPEP e da OPEP+, efetiva desde dia 1, ganhando autonomia para aumentar a produção e responder diretamente à procura global: uma decisão que reforça o seu peso enquanto potência energética independente.
A ADNOC (Abu Dhabi National Oil Company, a maior empresa petrolífera dos EAU e uma das maiores do mundo) anunciou simultaneamente contratos no valor de 55 mil milhões de dólares para os próximos três anos, com o objetivo de atingir cinco milhões de barris diários até 2027. Um sinal claro de confiança no futuro, em contraciclo com a turbulência regional.
No plano diplomático e de segurança, os EAU reafirmaram solidariedade para com o Bahrain face às ameaças iranianas, contribuindo para a coesão do Conselho de Cooperação do Golfo, numa altura em que a unidade do bloco é mais necessária do que nunca.
A crise tem custos: o aeroporto do Dubai registou uma quebra de 66% no tráfego em março. Mas a capacidade de adaptação dos EAU (na energia, na logística e na diplomacia) posiciona o país como referência de estabilidade numa região sob pressão.