O presidente da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL), David Botelho, considera “chocante” o concerto de Kanye West, 48 anos, não ter sido cancelado em Portugal, situação que aconteceu no Reino Unido, Suíça, Polónia e França. O rapper tem feito vários comentários nas redes sociais com discursos antissemitas e de apoio ao nazismo.
A CIL já apresentou um pedido às Câmaras de Faro e de Loulé e ao Governo para que não concedam quaisquer apoios públicos ao espetáculo marcado para dia 7 de agosto, no Estádio do Algarve – as quais não teve resposta.
O Estado está a “normalizar que se deem apoios públicos, sejam financeiros, logísticos, cedências de espaço, a iniciativas e indivíduos com discursos e atitudes antissemitas”, defende a comunidade israelita em Portugal.
Para a CIL, o Algarve “vai acolher uma figura que tem um discurso sinistro, que outros países entenderam como inaceitável” e Portugal “disponibiliza uma infraestrutura pública para a realização de um evento com fins lucrativos”.
No seu entender, esta é “uma normalização inaceitável de algo que não pode ser normalizado, nomeadamente o discurso de ódio”.
Kanye West, recorde-se, deixou vários ataques ao povo judeu: “Vamos ver se devolvem o nosso dinheiro. Sou nazista, e digo o que quiser.” Numa outra mensagem, o artista indicou que iria normalizar citar Hitler, “do mesmo jeito que normalizaram matar negros”.
Por fim, o americano escreveu que “todos os judeus odeiam brancos” e que “todos os brancos são racistas”. O rapper pediu depois desculpa, justificando-as com a sua doença bipolar.