Os trabalhadores da RTP apresentaram uma carta aberta, dirigida ao presidente do Conselho de Administração, Nicolau Santos, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e à ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, onde apelam que o canal não participe na Eurovisão, nem transmita o evento. O pedido de boicote deve-se à participação de Israel.
Os profissionais da estação pública dizem que não podem compactuar com a participação de um país que contraria os valores fundamentais da dignidade humana, dos direitos humanos e internacionais. “Permitir a participação de Israel, num evento que se apresenta como celebração da paz, diversidade e união entre povos, representa uma afronta às vítimas, uma tentativa de branquear crimes e uma instrumentalização cultural que o Serviço Público português não deve, não pode e não irá legitimar”, sublinham.
Os trabalhadores recordaram, igualmente, que a RTP apoiou a decisão da União Europeia (UER), em 2022, de excluir a Rússia do festival perante a invasão da Ucrânia.
Lembre-se que, em dezembro, num plenário geral de trabalhadores, os mesmos já tinham expressado por escrito o repúdio pela posição assumida pelo presidente do Conselho de Administração, na Assembleia Geral da UER [União Europeia de Radiodifusão], ao aceitar a manutenção da participação de Israel no festival.
Portugal atua na primeira semifinal do 70.º Festival Eurovisão da Canção marcada para terça-feira, dia 12, em Viena. O País vai ser representado pelos Bandidos do Cante, com o tema ‘Rosa’, num ano em que serão 35 os países a competir na Eurovisão, após desistências de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, devido à participação de Israel.
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