Os oceanos registaram em abril a segunda temperatura mais alta de sempre, com a superfície do mar a atingir os 21 graus fora dos círculos polares. Os dados são do Serviço de Mudança Climática de Copernicus e surgem acompanhados de previsões que apontam para o regresso do fenómeno El Niño.
Segundo o relatório publicado pelo Copernicus, a temperatura média da superfície do mar em abril de 2026 foi a segunda mais elevada alguma vez registada num mês, ficando apenas atrás de 2024, ano marcado pelo último fenómeno de El Niño. Os cientistas alertam que as condições atuais são favoráveis ao regresso deste fenómeno climático.
Abril foi também um mês marcado por fenómenos meteorológicos extremos em várias partes do mundo. Ciclones tropicais assolaram o Pacífico, cheias repentinas atingiram a península Arábica e inundações generalizadas e deslizamentos de terra afetaram o Irão, o Afeganistão, a Arábia Saudita e a Síria, causando vítimas mortais. O sul de África foi atingido por secas severas.
Samantha Burgess, responsável estratégica de clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas, afirmou que “abril de 2026 reforça o sinal claro de um aquecimento global sustentado”, com ondas de calor marinhas generalizadas, gelo ártico a níveis muito abaixo da média e a Europa a registar “fortes contrastes de temperatura e precipitação”.
Em termos globais, abril foi o terceiro mês mais quente já registado, com uma temperatura média do ar à superfície de 14,89 graus, meio grau acima da média histórica. Um sinal cada vez mais difícil de ignorar.