CIRURGIAS ADICIONAIS PODEM RENDER 400 MIL EUROS A UM MÉDICO

O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, afirmou esta terça-feira na Comissão Parlamentar de Saúde que é “perfeitamente possível” que um médico “que trabalhe muito” receba 400 mil euros num ano pela realização de cirurgias adicionais nos hospitais públicos, destinadas a reduzir as listas de espera.

Álvaro Almeida clarificou que “não podemos concluir daí que há falta de controlo”, apesar do elevado valor, e sublinhou que “se não houvesse fraude – não sabemos, porque o inquérito não está concluído –, é perfeitamente possível que não haja fraude e um médico que trabalhe muito tenha uma remuneração na casa dos 400 mil euros num ano”.

O diretor executivo explicou ainda que não pretendia falar sobre o caso específico do Hospital de Santa Maria, onde um médico recebeu centenas de milhares de euros por operar aos sábados, pois “está a decorrer um processo aberto pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) ainda sem conclusões”.

O responsável destacou que o sistema de produção adicional existe para “recuperar listas de espera, para permitir que a população tenha acesso a cuidados de saúde”, e que os profissionais “são remunerados pelo seu esforço adicional”.