Os dados do INE relativos à taxa de criminalidade participada por cada 100 mil habitantes apresentam uma realidade do país que pode surpreender.
Vários concelhos do Interior e das regiões autónomas lideram os vários rankings do estudo ‘Taxa de Criminalidade participada por cada 100 mil habitantes e localização’, com dados relativos a 2024.
O ranking dos 10 concelhos do país com mais queixas apresentadas é encabeçado por Albufeira, seguido de Avis, Mourão, Loulé, Porto, Sines, Vila do Bispo, Ribeira Grande, Alcácer do Sal e Aljezur.
LISBOA NÃO É DAS PIORES
Lisboa vista, por muitos, como a cidade mais perigosa do país, afinal… não o é! A capital portuguesa ocupa o 11.º lugar do ranking geral dos 308 concelhos do país, com 53,6 dos crimes participados por 100 mil habitantes.
Os tipos de crimes mais participados na capital, aliás como em todo o país, são os crimes contra o património, com 34,6 queixas por 100 mil habitantes. Depois estão os crimes contra a integridade física, com 6,2 queixas por 100 mil. O furto de veículo ou em veículo motorizado (4,8) ultrapassa as denúncias furto/roubo por esticão na via pública (3,2).
PORTO PIOR QUE A CAPITAL
Os debates sobre o crime e a perceção de insegurança têm sido inúmeros. De facto, tendo em conta os dados da INE, a realidade é diferente da perceção.
Este estudo apenas diz respeito a crimes participados, o que significa que, por detrás da frieza dos números haverá uma cifra negra, ou seja, crimes que não chegam a ser relatados aos órgãos de polícia criminal.
O Porto ultrapassa Lisboa nos níveis de criminalidade e está em 5.º lugar, com 60,6 queixas por 100 mil habitantes. A Invicta ultrapassa largamente Lisboa no crime de furto de veículo e em veículo motorizado, com 12,1 queixas por 100 mil, quase o triplo. Os crimes contra a integridade física atingem as 7,3 queixas.
ALBUFEIRA LIDERA NOS CRIMES POR HABITANTE
Outro dado que causa alguma surpresa é o facto de Albufeira estar no topo dos concelhos mais perigosos do país, com 78,2 crimes por 100 mil habitantes. Os crimes contra o património prevalecem neste concelho, considerado uma das principais estâncias turísticas do Algarve. Mesmo assim, em Albufeira o número de crimes de furto/roubo por esticão (2,6) é inferior ao de Lisboa (3,2) e do Porto (2,9).
Mesmo havendo tanta gente em circulação, o que se agrava durante o verão, os crimes contra a integridade física declarados (10,6 por 100 mil habitantes) são inferiores aos de Albufeira, uma zona considerada mais tranquila: Ribeira Grande, nos Açores, com 13,9.
A capital do Algarve, Faro, situa-se no 16% lugar da lista do INE, com 49,8 de crimes declarados por 100 mil.
A QUEDA DOS MITOS ALMADA, SETÚBAL, LOURES E AMADORA
Almada, que muitos veem como outro concelho muito perigoso, associado à criminalidade juvenil e outros delitos, afinal ocupa o 44.º lugar do top global do INE. O mesmo acontece com Setúbal, conhecida pelos bairros problemáticos, como o da Bela Vista, está no 77.º posto, com 34 de crimes declarados por 100 mil habitantes.
Na Grande Lisboa, os números do INE indicam que a realidade é muito diferente da perceção. Loures, onde também existem grandes aglomerados de barracas e famílias com baixo rendimento, está em 123.º lugar.
A Amadora ainda mais abaixo: 132 crimes registados por 100 mil habitantes. De lembrar que fazem parte da Amadora bairros como a Cova da Moura, Estrada Militar ou Zambujal.
CORVO, O MAIS EXEMPLAR
Em contraste, a ilha do Corvo, nos Açores, com cerca de 400 habitantes, uma caixa multibanco, uma vila (Corvo), um hotel, uma farmácia, um porto e duas estradas é, desta vez sem surpresa, o local mais seguro de Portugal. Conta com 6,9 denúncias de crimes por 100 mil habitantes.
Na lista do INE é possível saber que em 2024 não foram registados na ilha quaisquer crimes de furto/roubo por esticão e na via pública, furto de veículo e em veículo motorizado, condução de veículo com taxa de álcool superior a 1,2g/l, nem condução sem habilitação legal.