Apesar dos recentes acidentes aéreos, especialistas afirmam que os aviões continuam a ser o meio de transporte mais seguro do mundo.
A última semana do ano de 2024 foi marcada por dois grandes acidentes aéreos. A queda de um avião da Azerbaijan Airlines, no Cazaquistão, e a colisão com pássaros de um avião da Jeju Air, na Coreia do Sul, provocaram mais de 200 mortos.
Em 2024 ocorreram 40 milhões de voos. Houve apenas um acidente a cada 880 mil viagens. Foi um ano de poucos acidentes aéreos. “É uma taxa muito baixa comparativamente com a dos automóveis que, na Europa, roda aproximadamente 17 acidentes a cada 100 mil habitantes”, afirma Tiago Faria Lopes, piloto de voos comerciais regulares.

Ainda que o primeiro trimestre deste ano já tenha sido marcado por quatro grandes acidentes, o ex-piloto da TAP José Correia Guedes afirma ao 24Horas que a aviação nunca foi tão segura como agora. “O número de ocorrências tem vindo a diminuir nas últimas décadas”, indica.
Segundo Tiago Faria Lopes, mesmo que a “aviação tenha os padrões de segurança mais elevados do que qualquer outro meio de transporte”, outros fatores conduzem a acidentes. Um carro no meio da pista, o choque com um helicóptero ou a colisão com pássaros são alguns dos exemplos que causaram estas ocorrências.
De acordo com o site da Aviation Safety Network, só este ano 18 aeronaves comerciais já colidiram com pássaros. “Estamos a falar de coisas para as quais, neste momento, não existe tecnologia disponível para resolver. Os pássaros vão continuar a voar e as pessoas terão de ter o cuidado de não voarem para zonas de guerra”, refere José Correia Guedes.
No entanto, quando se analisa os últimos 10 anos, constata-se que foi em 2018 que ocorreram maiores fatalidades a bordo. Os 62 acidentes registados totalizaram 523 mortos.
Uma coisa é certa, os dois pilotos afirmam que existe um fenómeno “inexplicável”. Quando ocorre um grande acidente aéreo, os pilotos pressentem que outros incidentes estarão próximos de acontecer. “Esta é a perceção que nós, nos aviões, sempre tivemos. Sempre que acontece um acidente grave, sabemos que temos de ser mais cautelosos nas próximas viagens”, refere o ex-piloto.