Concluído a primeira volta das presidenciais, Manuel João Vieira, de 63 anos, regressou ao território que há décadas define o seu percurso público: a criação artística. Para muitos portugueses, as recentes eleições serviram de porta de entrada para uma figura que, apesar da projeção mediática enquanto candidato a Belém, tem um percurso nas artes e na cultura nacionais.
Conhecido pelo humor mordaz, pela sátira política e por propostas assumidamente provocatórias, como a defesa simbólica da consagração do “direito à felicidade” na Constituição, Manuel João Vieira encarou a candidatura como uma extensão do seu trabalho artístico e crítico, mais do que como um projeto político convencional.
Figura central da cultura alternativa portuguesa, desde os anos 80, Manuel João Vieira construiu notoriedade como músico e performer nos projetos Ena Pá 2000 e Irmãos Catita, que marcaram várias gerações pelo humor irreverente e pela crítica social. Paralelamente, desenvolveu um percurso consistente nas artes plásticas, área em que é formado pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.
No plano artístico, o seu trabalho inclui pintura, desenho, gravura e serigrafia, com presença regular em exposições e edições de arte. Manuel João Vieira colabora há vários anos com o Centro Português de Serigrafia (CPS), instituição de referência na edição e divulgação da obra gráfica de artistas portugueses contemporâneos.
Segundo a CBS, que divulgou um vídeo de Manuel João Vieira, o artista encontra-se, atualmente, a desenvolver uma nova gravura no Atelier CPS, “dando continuidade a um percurso artístico marcado pela irreverência, pela crítica e por uma linguagem visual profundamente identitária”.