A defesa de José Sócrates voltou a gerar turbulência na Operação Marquês, depois de a sessão desta terça‑feira ter sido interrompida devido a dúvidas sobre a nomeação do novo advogado oficioso, num episódio que expôs falhas de comunicação entre tribunal e Ordem dos Advogados e reacendeu a disputa em torno de quem deve representar o ex‑primeiro‑ministro.
A operação Marquês voltou a desenrolar-se com um novo capítulo sobre a defesa do antigo primeiro-ministro. No início de mais uma sessão do caso, Luís Carlos Esteves apresentou-se como novo advogado oficioso de Sócrates, contudo a nomeação ainda não tinha sido oficializada pelo Conselho Regional de Lisboa.
Por essa razão, tanto a juíza como os defensores dos outros arguidos pediram a suspensão da sessão, que ficou interrompida mais de uma hora. Com a retoma de trabalhos, foi necessário que Humberto Monteiro – o advogado de Sócrates, que se demitiu no dia 10 de março – assumisse a pasta novamente.
Durante a pausa para o almoço, Luís Carlos Esteves deu as primeiras declarações aos jornalistas. O oficial acabou por explicar que aguardava a oficialização da nomeação e que acreditava estar resolvido o mais breve possível.
Quanto ao desafio de defender o antigo primeiro-ministro, Esteves admite que “10 dias não são suficientes para a dimensão do caso”, contudo revela que fará a “melhor defesa possível” e que “não vai desistir”.
A ordem dos advogados veio a público explicar o mal-entendido. Segundo o magistrado, devido à rapidez de substituir Humberto Monteiro, a ordem nomeou diretamente Esteves – sem a aprovação escrita do Conselho Regional de Lisboa.
“Atendendo à urgência da nomeação de novo defensor para o arguido José Sócrates, o bastonário da Ordem dos Advogados [João Massano] comunicou ao presidente do Conselho Regional de Lisboa a intenção do Conselho Geral de avocar de imediato essa competência”, salientou, em comunicado, o órgão lisboeta, liderado por Telmo Guerreiro Semião.
Nem Monteiro, nem Esteves, Sócrates quer advogado da ex-mulher
Apesar da discussão de oficiais nomeados pelo Estado, o ex-primeiro ministro tem outra pessoa em mente para a sua defesa: quer Filipe Batista. O advogado que foi chefe de gabinete quando Sócrates era ministro do Ambiente e depois secretário de Estado Adjunto quando o ex-primeiro-ministro formou Governo e, também, defensor da ex-mulher de Sócrates, Sofia Fava.
Filipe Batista refere que recebeu a procuração de Sócrates e que poderia assegurar agora tal cargo mediante uma condição – que não revelou – que teria de ser garantida pelo tribunal.
Luís Carlos Esteves é o quinto oficial nomeado desde que Pedro Dellile se demitiu em novembro de 2025, depois de estar à frente da pasta desde de 2018.