Um alegado caso de uso indevido de influência política está a gerar polémica nos Estados Unidos, depois de o New York Times revelar que um amigo próximo de Donald Trump, responsável por ter apresentado Melania Trump ao presidente norte-americano, terá recorrido ao sistema de imigração para tentar resolver um conflito pessoal.
Segundo a investigação, Paolo Zampolli, terá pedido a responsáveis do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândega (ICE) que detivessem e deportassem a sua ex-companheira, uma cidadã brasileira, no contexto de uma disputa pela custódia do filho. 
A mulher encontrava-se detida em Miami por suspeitas de fraude laboral quando Zampolli terá contactado um alto funcionário do ICE, alegando que esta estaria em situação irregular no país e sugerindo a sua transferência para custódia migratória. De acordo com os registos citados, o pedido foi atendido e a mulher acabou por ser deportada para o Brasil. 
O caso levanta dúvidas sobre um eventual favorecimento político e utilização de recursos públicos para fins privados, sobretudo devido à proximidade de Zampolli à Casa Branca. Ainda assim, o Departamento de Segurança Interna garante que a deportação ocorreu dentro dos trâmites legais, apontando o visto expirado e as acusações criminais como fundamento da decisão.
Zampolli nega ter solicitado qualquer tratamento privilegiado, afirmando que apenas procurou informações sobre o processo. Já a ex-companheira sustenta que a influência do empresário foi determinante para a sua expulsão.
A polémica reacende o debate sobre a transparência e a independência das autoridades migratórias norte-americanas, num contexto já marcado por uma política de imigração particularmente rigorosa.